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Ciência descobre o que café realmente faz com nosso intestino e cérebro — é melhor do que pensávamos

Descafeinado também tem benefícios

Por Vika Rosa / Xataka | Portal Terra | Xataka

Café

Foto: Unsplash/Clay Banks / Xataka

Tomar uma xícara de café vai muito além de buscar uma dose de energia para começar o dia (ou a tarde). Uma pesquisa inovadora da University College Cork, na Irlanda, revelou que a bebida atua como um poderoso reconfigurador da conexão entre o intestino e o cérebro. Pela primeira vez, cientistas mapearam como o café interage com o microbioma intestinal para influenciar diretamente o humor, o estresse e até a capacidade de aprendizado.

O estudo, publicado na Nature Communications (link no primeiro parágrafo), comparou consumidores habituais de café com pessoas que não possuem o hábito.

Os resultados mostram que o café molda as bactérias intestinais de formas que promovem o bem-estar mental. Curiosamente, tanto o café com cafeína quanto o descafeinado apresentaram benefícios significativos, sugerindo que as propriedades da bebida vão muito além do estimulante que todos conhecemos.

O poder do descafeinado e o foco da cafeína

Uma das maiores surpresas da pesquisa foi o impacto do café descafeinado no cérebro. Os participantes que consumiram a versão sem cafeína apresentaram melhorias notáveis na memória e na aprendizagem. Os cientistas acreditam que outros compostos, como os polifenóis, sejam os responsáveis por esses ganhos cognitivos. Já o café tradicional, com cafeína, destacou-se por reduzir a ansiedade e aumentar consideravelmente o estado de alerta e a atenção.

No trato digestivo, os pesquisadores identificaram que o café aumenta a presença de bactérias específicas, como a Eggertella sp e a Cryptobacterium curtum. Esses microrganismos auxiliam na produção de ácidos que protegem o corpo contra bactérias nocivas e infecções. 

Além disso, observou-se um aumento de bactérias ligadas a emoções positivas, reforçando a ideia de que um intestino saudável é o caminho para uma mente equilibrada.

O café como intervenção dietética

Para o professor John Cryan, principal autor do estudo, o café é um fator dietético complexo que interage com nosso metabolismo e bem-estar emocional de maneiras complementares. 

Durante o experimento, mesmo quando os participantes não sabiam se estavam bebendo café com ou sem cafeína, ambos os grupos relataram redução nos níveis de estresse, depressão e impulsividade.

Essas descobertas sugerem que o café pode ser utilizado como uma ferramenta estratégica em dietas balanceadas para melhorar a saúde do microbioma a longo prazo. 

Leonardo Assad

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