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Cooperativa faz exportação inédita de café naturalmente descafeinado

Mercado global de café descafeinado movimentou US$ 3,17 bilhões em 2025 e deve chegar a US$ 5,22 bilhões em vendas até 2033

Por Cibelle Bouças — Belo Horizonte | Globo Rural

Carga de cooperado da Expocacer foi enviada ao Japão — Foto: Divulgação

A Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer) realizou pela primeira vez a exportação de café especial não torrado naturalmente descafeinado.

O embarque de 8,4 toneladas – equivalente a 140 sacas de 60 quilos – saiu do porto de Santos (SP) na quarta-feira (6), com destino ao Japão. O lote foi adquirido pela Cerrad Coffee & Company, com sede em Tóquio.

“Estamos com o mercado de descafeinado há cinco anos, mas antes era só commodity. O café especial descafeinado é muito raro. Esse é um café bourbon produzido no Cerrado Mineiro, de alta qualidade, e isso é uma novidade no mercado japonês”, afirmou Carlos Akio Yamaguchi, responsável pelo controle de qualidade de importações da Cerrad & Coffee Company.

Esse volume, segundo a Expocacer, supera os embarques anuais de café não torrado descafeinado – naturalmente ou não – realizados pelo Brasil desde 2020.

De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, no ano passado, o Brasil exportou 832 quilos de café descafeinado não torrado. Em 2024, foram embarcados 698 quilos do produto.

Italo Henrique, diretor comercial da Expocacer, disse que essa exportação para o Japão tem como foco, no primeiro momento, a construção de mercado, sem preocupação imediata com ganho de escala.

“Esse movimento normalmente começa com embarques mais controlados, voltados à validação comercial, ao alinhamento de perfil e à consolidação da relação com o cliente, em meio a uma tendência de consumo com público crescente”, afirmou o diretor.

O executivo acrescentou que o mercado deixou de ver o café descafeinado como um produto de nicho, sendo agora encarado como uma categoria estratégica, com espaço para fidelização de clientes.

“É um segmento que tem mostrado crescimento consistente, que conversa com novos momentos de consumo e com um público cada vez mais atento a bem-estar, sem abrir mão da qualidade”, afirmou Henrique.

Um estudo realizado pela Grand View Research indica que o mercado global de café descafeinado movimentou US$ 3,17 bilhões em 2025 e deve chegar a US$ 5,22 bilhões em vendas até 2033, com crescimento médio de 6,7% ao ano no período.

O crescimento da categoria é impulsionado por preocupações com a saúde, aumento da demanda por bebidas com pouca cafeína, aumento da população idosa, entre outros fatores.

Processo de descafeinação

A descafeinação do café especial da Expocacer foi realizada pela DM Descafeinadores do Brasil, em Sooretama (ES). A empresa é fruto de uma parceria entre a Eisa Interagrícola, braço da multinacional suíça Ecom Agroindustrial, e a mexicana Descamex.

O método utilizado, segundo a Expocacer, foi o “Mountain Water”, um processo natural que usa apenas água e sólidos solúveis extraídos do próprio café para extrair a cafeína, sem comprometer a qualidade do produto.

O processo começa com a pré-limpeza e hidratação dos grãos. Em seguida, a cafeína é removida, usando a solução saturada de sólidos solúveis obtidos do café. Por fim, é feita a tripla secagem do grão, o polimento e a embalagem.

O produtor

café especial naturalmente descafeinado foi produzido pelo cooperado Eduardo Pinheiro Campos, na Fazenda Dona Neném, em Presidente Olegário (MG), no Cerrado Mineiro. O café é da variedade bourbon amarelo, que apresenta sabor floral, melaço, mel, tangerina, laranja e cereja, acidez cítrica, corpo aveludado e ‘after taste’ refrescante e prolongado.

Produtor Eduardo Pinheiro Campos, da Fazenda Dona Neném — Foto: Divulgação

A Fazenda Dona Neném tem 1,4 mil hectares, divididos em áreas de cultivo de cafés de alta qualidade e de preservação ambiental. A propriedade conta com certificações internacionais, como Rainforest Alliance, Nespresso e Denominação de Origem Região do Cerrado Mineiro.

Em 2025, Campos venceu o 13º Prêmio Região do Cerrado Mineiro, na categoria Cereja Descascado, com um café avaliado em 90,59 pontos na avaliação sensorial. Esse café foi vendido em leilão por R$ 200 mil a saca, valor recorde da premiação.

Leonardo Assad

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