Estudo mostra que a cafeína pode aumentar a vontade de fumar e intensificar o prazer associado à nicotina
Por Natália P. Martins / Xataka
Homem tomando café e fumando um cigarro ao lado de uma janela.
Foto: Shutterstock / Xataka
Para muita gente, é quase automático: café na mão, cigarro aceso. Seja no início do dia, após as refeições ou em pausas no trabalho, essa combinação pode ir muito além de um simples costume. O que por muito tempo foi tratado apenas como hábito pode, na verdade, ter uma base biológica mais complexa.
Um estudo publicado na plataforma científica PubMed Central investigou como o consumo de cafeína influencia o comportamento de fumantes no dia a dia — e os resultados indicam que essa combinação pode reforçar diretamente o vício em nicotina.
Na pesquisa, cientistas acompanharam 74 fumantes no dia a dia, ao longo de várias semanas, mapeando episódios de consumo de cafeína, uso de cigarro e variações no desejo de fumar. Eles registraram em tempo real quando consumiam cafeína, quando fumavam e como se sentiam.
O resultado confirmou algo já esperado: café e cigarro costumam acontecer juntos — e não por acaso. Os dados mostraram que o consumo de cafeína estava associado a um aumento na probabilidade de fumar, sugerindo que bebidas como café podem funcionar como um gatilho comportamental para o cigarro.
A explicação está no efeito das duas substâncias no cérebro. Tanto a cafeína quanto a nicotina são substâncias estimulantes que atuam em sistemas neuroquímicos relacionados à atenção, recompensa e sensação de prazer.
Isso cria um efeito curioso: o cérebro começa a associar uma coisa à outra. Segundo os autores, a sobreposição dos efeitos pode levar o cérebro a estabelecer uma associação entre os dois estímulos.
Com o tempo, tomar café pode ativar automaticamente circuitos ligados ao prazer do cigarro — mesmo antes de você acender um.
O estudo mostrou que, após consumir cafeína, os participantes relataram:
O estudo também identificou que os efeitos da cafeína eram mais intensos quando os participantes estavam há mais tempo sem fumar — especialmente após intervalos superiores a 15 minutos.
Outro ponto relevante é a mudança na percepção do cigarro: sob efeito da cafeína, os fumantes avaliaram a experiência como mais prazerosa, relaxante e satisfatória. Esse reforço positivo tende a fortalecer o ciclo de dependência.
Isso indica que a substância pode atuar como um fator capaz de ativar o desejo, aumentando a busca por nicotina após períodos de abstinência.
Para os pesquisadores, os resultados ajudam a explicar por que a combinação entre café e cigarro é tão presente e habitual — e por que pode representar um obstáculo para quem tenta abandonar o tabagismo: a cafeína pode influenciar diretamente a motivação para fumar, associando o prazer ao cigarro.
Ao aumentar tanto o desejo quanto a percepção de prazer associada ao cigarro, a cafeína pode contribuir para a manutenção do hábito. Ou seja, de acordo com o estudo, a cafeína pode funcionar como um amplificador do comportamento em pessoas que já possuem o hábito com nicotina.
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