Por Danton Boatini Júnior — Londrina (PR) | Globo Rural
Alcione Monteiro diz que plantas de cobertura entre cafeeiros aumentaram os inimigos naturais de pragas — Foto: Danton Boatini Júnior/Valor
Em pouco menos de 30 anos, o pequeno município de Carlópolis, no norte do Paraná, viu a área plantada de café subir 243%, enquanto a produtividade superou a média estadual e nacional. São 41,6 sacas por hectare — a média do Brasil é de 29 sacas e a do Paraná, 27 sacas — em uma área de 6.000 hectares. Cerca de 90% da área é mecanizada. O município também tem alto índice de renovação de lavouras e a maioria das propriedades diversifica a produção por meio da fruticultura.
Mas o que os números não contam é que a eficiência está relacionada a um conjunto de práticas conservacionistas que fazem de Carlópolis uma das referências em cafeicultura regenerativa, prática que tem ajudado a mitigar os impactos das mudanças climáticas.
Segundo o agrônomo Otávio da Luz, do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR), o cuidado com o solo foi fundamental para isso. “Quando os cafeicultores de Carlópolis começaram a recuperar e proteger o solo, os resultados começaram a aparecer. E quando você trata bem o solo, tudo fica mais fácil”, resume.
Ele afirma que a base da cafeicultura regenerativa é simples: “imitar” a natureza para produzir mais e com menor impacto, mantendo o solo sempre protegido, vivo e biologicamente ativo. O modelo se apoia em cinco fatores: uso de variedades adaptadas ao ambiente, manutenção de cobertura vegetal, formação de palhada, estímulo ao crescimento radicular das plantas e aumento da biodiversidade no sistema produtivo.
Décadas atrás, o café era plantado em curva de nível na região, por causa da erosão. “Na época dos nossos avós, se viam um pé de mato eles tinham de matar. Era uma cultura da época”, diz o cafeicultor Danilo Fernando Bagatin, que planta café em uma área de 200 hectares, além de trabalhar com soja, milho, trigo e gado.
A evolução das pesquisas direcionadas ao segmento trouxe a introdução da cafeicultura regenerativa. “Com esse tipo de manejo com braquiária [espécie de capim], ou com mix, você conserva o solo, porque coloca muita matéria orgânica. Então ele devolve muitos nutrientes e com isso você tem mais umidade no pé de café”, explica Bagatin.
Entre as práticas adotadas estão ainda o uso de insumos biológicos, além de análises de solo e foliar, o que mostra como está a “saúde” da planta e da terra.
A adoção dessas práticas resulta em um café de mais qualidade, com enchimento de grão maior e mais produção, além de maior resistência às mudanças climáticas, segundo Bagatin. Ele diz que o clima tem apresentado variações importantes nos últimos anos na região. No último verão, foram mais de dois meses sem chuvas.
Filho de cafeicultor, Alcione Monteiro cultiva a planta em uma área de 20 hectares. As práticas regenerativas já vinham sendo adotadas pelo pai. “Começamos a ver outros produtores fazendo, vimos que estava dando certo e fomos copiando”, conta o cafeicultor.
Entre as práticas que adota está o plantio de braquiária nas “ruas” entre os cafeeiros. Depois que o capim cresce, é feita a roçada para debaixo do pé de café, para manter o solo sempre coberto, de modo a protegê-lo.
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