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Uma saca de café pode retirar até 100 kg de carbono da atmosfera

Sistema produtivo no Sul de Minas evidencia como o agronegócio brasileiro pode atuar como solução climática — e não como problema

Por Fazenda Caxambu e Aracaçu | g1

Uma saca de café pode retirar até 100 kg de carbono da atmosfera – Crédito: Gustavo Coetti

Em meio a críticas recorrentes sobre o impacto ambiental do agronegócio, um movimento ganha força dentro das propriedades rurais brasileiras: o de tornar visível aquilo que já acontece há anos da porteira para dentro.

Nas Fazendas Caxambu e Aracaçu, em Três Pontas MG, estimativas técnicas indicam que a produção de café, quando inserida em um sistema regenerativo, pode estar associada à remoção de até 100 quilos de carbono da atmosfera por saca produzida. O dado não se refere apenas ao café em si, mas ao sistema produtivo como um todo — que integra árvores, manejo de solo e processos biológicos capazes de capturar carbono e reduzir emissões.

A base desse modelo está na estrutura da lavoura. Com cerca de 117 mil árvores distribuídas entre os cafeeiros 1 árvore a cada 7 pés de café), além de 1 1 saca de café pode retirar até 100 kg de carbono da atmosfera: o modelo das Fazendas Caxambu e Aracaçu que conecta produção e solução climática a áreas preservadas e manejo orientado à regeneração do solo, o sistema amplia sua capacidade de captura de carbono ao mesmo tempo em que reduz sua pegada operacional, através de mudanças progressivas no sistema produtivo. Trata-se de uma abordagem que transforma a lógica da lavoura: não apenas minimizar impactos, mas gerar efeitos positivos mensuráveis.

Mensuração de captura de carbono nas Fazendas Caxambu e Aracaçu – Crédito: Gustavo Coetti

A mensuração desse processo é conduzida dentro do projeto de cafeicultura regenerativa da Cooxupé, com apoio científico da EPAMIG e das empresas GrowGrounds e Clima Café. A iniciativa permite quantificar tanto a captura quanto a redução de emissões, estruturando a geração de créditos de carbono certificados — posteriormente adquiridos por empresas da cadeia, como a sueca Löfbergs, em operações de insetting.

O avanço desse modelo também dialoga com entidades do setor, como a BSCA Brazil Specialty Coffee Association), que acompanha a evolução de práticas que conectam qualidade, rastreabilidade e responsabilidade ambiental no café brasileiro.

Para Maria Dircéia Mendes, da SMC, responsável pela exportação dos cafés das fazendas, essa mudança é também de percepção.

“O que está acontecendo agora é que o mercado começa a enxergar o que já existe dentro das propriedades. O café brasileiro não é só competitivo em qualidade — ele também carrega um sistema produtivo cada vez mais alinhado com as demandas ambientais globais.”

Embora os números ainda avancem em refinamento metodológico e ampliem sua base de validação, o que emerge desse modelo é uma mudança de leitura sobre o papel do agro: não apenas como produtor de alimentos, mas como parte ativa da solução climática.

Mais do que um dado isolado, a relação entre café e captura de carbono aponta para um novo posicionamento do agronegócio brasileiro no cenário global — onde produzir, conservar e regenerar deixam de ser caminhos opostos e passam a fazer parte do mesmo sistema.

O que são 100kg de carbono na atmosfera

Para dar dimensão ao impacto, a remoção de cerca de 100 quilos de carbono da atmosfera — associada a uma única saca de café dentro do sistema das Fazendas Caxambu e Aracaçu — pode ser comparada a diferentes referências do cotidiano:

  • Equivale aproximadamente às emissões geradas por um carro rodando entre 500 e 700 quilômetros
  • É próximo ao carbono emitido em um voo doméstico curto por passageiro
  • Corresponde ao consumo de energia elétrica de uma residência brasileira por cerca de 2 a 3 meses
  • Representa a quantidade de carbono que levaria anos para ser compensada por uma única árvore isolada
  • Equivale à queima de aproximadamente 40 a 50 litros de gasolina

Sobre as Fazendas Caxambu e Araçaçu

Localizadas em Três Pontas, no Sul de Minas Gerais, as Fazendas Caxambu e Araçaçu são propriedades de um grupo familiar liderado por Carmem Lucia Ucha. Cooperadas da Cooxupé,e contando com a SMC como a mais importante parceria em seu projeto de exportação de cafés especiais, as fazendas combinam tradição cafeeira com um conjunto crescente de práticas regenerativas voltadas à redução de emissões e ao aumento da biodiversidade.

Esse cuidado também se reflete na qualidade dos cafés produzidos, reconhecida internacionalmente, com destaque para a conquista do primeiro lugar na categoria Natural no Cup of Excellence 2025, o maior e mais importante concurso global de cafés de excelência, promovido no Brasil pela BSCA. A condução desse padrão de excelência sensorial está sob a responsabilidade de Dionatan Almeida, campeão mundial de Cup Tasters, que lidera o trabalho de avaliação e refinamento sensorial da produção.

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Leonardo Assad

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