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Mercado de café muda de direção ao longo do dia: arábica reage, mas pressão da safra brasileira segue no radar

Oscilação ao longo do pregão revela disputa entre avanço da colheita e oferta futura maior; produtor deve acompanhar de perto os movimentos

O mercado futuro do café apresentou nova reviravolta ao longo desta quarta-feira (29), com comportamento misto nas bolsas internacionais e forte influência dos fundamentos brasileiros. Após iniciar o dia pressionado, o arábica ensaia leve recuperação, enquanto o robusta mantém trajetória de queda, refletindo um cenário em que a safra 2026/27 do Brasil continua no centro das decisões.

Na Bolsa de Nova York, o contrato julho/2026 operava a 290,90 cents por libra-peso, com alta de 20 pontos. O vencimento maio/2026 subia para 306,40 cents por libra-peso, com ganho de 230 pontos. Já o setembro/2026 recuava para 280,30 cents por libra-peso, com perda de 30s pontos, enquanto o dezembro/2026 permanecia estável em 272,85 cents por libra-peso.

Em Londres, o robusta seguia pressionado. O contrato maio/2026 era negociado a 3.680 dólares por tonelada, com leve queda de 1 ponto. O julho/2026 recuava para 3.447 dólares por tonelada, com baixa de 34 pontos. O setembro/2026 operava a 3.360 dólares por tonelada, com perda de 32 pontos, enquanto o novembro/2026 caía para 3.289 dólares por tonelada, com recuo de 30 pontos.

O comportamento do mercado reflete, principalmente, o avanço da safra brasileira. Mesmo com a colheita ainda em ritmo inicial neste fim de abril, o mercado já antecipa um aumento significativo da oferta nos próximos meses. A entrada gradual do café novo começa a ser precificada, pressionando as cotações, especialmente no robusta.

Ao mesmo tempo, o mercado físico no Brasil segue com baixa fluidez. Produtores ainda estão capitalizados e sem necessidade imediata de venda, enquanto compradores adotam postura cautelosa, aguardando maior disponibilidade com o avanço da colheita. Esse desencontro limita os negócios e ajuda a evitar quedas mais acentuadas nas bolsas.

Outro fator relevante é o ritmo das exportações brasileiras, que continua abaixo do observado na temporada passada. A menor disponibilidade interna, somada a estoques mais ajustados, ainda oferece sustentação ao mercado no curto prazo, criando um equilíbrio entre pressão de safra e restrição momentânea de oferta.

O avanço da colheita, a entrada efetiva do produto no mercado e o comportamento da demanda serão determinantes para a formação dos preços. Para o produtor brasileiro, o momento exige atenção redobrada e estratégia na comercialização, já que a volatilidade deve continuar marcando o ritmo das negociações.

Por: Priscila Alves I Instagram: @priscilaalvestv

Fonte: Notícias Agrícolas

Leonardo Assad

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