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Carmem Lucia, a Ucha, entre as 100 do agro, lidera fazenda no Sul de Minas

Forbes e ex-BSCA: produtora de Três Pontas exporta a 17 países e vira referência global em cafeicultura regenerativa

Por Fazenda Caxambu e Aracaçu | g1

Carmem Lucia, a Ucha, entre as 100 do agro, lidera fazenda no Sul de Minas – Crédito: Divulgação Fazendas Caxambu e Aracaçu

Quando Carmem Lucia Chaves de Brito — conhecida como Ucha — fala sobre café, fala sobre décadas. Sobre decisões tomadas quando ninguém pagava prêmio por sustentabilidade. Sobre escolhas que, na época, pareciam custo e que hoje são reconhecidas como visão.

À frente das Fazendas Caxambu e Aracaçu, em Três Pontas, no Sul de Minas Gerais, Ucha lidera uma operação que combina produção de cafés especiais de classe mundial com um dos modelos mais avançados de cafeicultura regenerativa do Brasil. E faz isso com uma convicção que antecede as tendências de mercado.

Uma trajetória de liderança

Ucha foi reconhecida pela Forbes entre as 100 pessoas mais importantes do agronegócio brasileiro — uma lista que reflete influência real sobre as práticas do setor. Antes disso, presidiu a BSCA Brazil Specialty Coffee Association) por um período significativo, ajudando a posicionar o café especial brasileiro no mapa global.

Mas é na fazenda que sua gestão se materializa. Junto com Paulo Fernando Chaves de Brito, Gerente de Processos de Produção, Ucha estruturou o PGQ Plano de Gestão com Qualidade no Campo — documento que organiza todas as frentes estratégicas da operação para o período de 2021 a 2026, desde o manejo nutricional até a conservação da biodiversidade.

“A fazenda já contava com uma presença significativa de árvores, tanto pelos corredores ecológicos naturais quanto pelo plantio de mais de 20 mil mudas nos últimos anos. O que muda agora é a evolução desse modelo: as árvores deixam de estar apenas no entorno e passam a integrar a lavoura, em linhas paralelas ao café, dentro de um sistema agroflorestal”, explica Ucha.

Carmem Lucia, a Ucha, recebe título da Forbes – Crédito: Gustavo Coetti

Números que sustentam a visão

Sob sua liderança, as fazendas acumulam resultados concretos: mais de 100 hectares dedicados à preservação APPs e Reserva Legal), cerca de 117 mil árvores integradas à lavoura, quase 20.000 árvores plantadas nos últimos anos com 134 espécies diferentes, 19 nascentes protegidas gerando 760 milhões de litros de água por ano, e a remoção de 1.077,2 toneladas de CO ₂ por ano da atmosfera.

A operação exporta cafés via SMC para 17 países — Japão, Coreia do Sul, Malásia, China, Nova Zelândia, Austrália, África do Sul, Inglaterra, Alemanha, Itália, França, Dinamarca, Noruega, Suíça, Holanda, Estados Unidos e Canadá. Os créditos de carbono gerados pela arborização — os primeiros certificados por esse método no Brasil — foram adquiridos pela sueca Löfbergs em modelo de insetting, em parceria com a Cooxupé, EPAMIG, GrowGrounds e Clima Café.

A qualidade dos cafés, conduzida por Dionatan Almeida, campeão mundial de Cup Tasters, rendeu o 1º lugar no Cup of Excellence 2025 (categoria Natural), o Café Presidencial do COE 2025, e finalizações no Coffee of the Year 2025, no concurso Florada Três Corações), no Concurso de Qualidade dos Cafés de Minas Gerais e no Todas as Marias.

Liderança feminina como modelo de gestão

Em um setor historicamente dominado por homens, a trajetória de Ucha não é apenas inspiracional — é estrutural. Ela demonstra que a presença feminina na gestão do agro não é exceção: é vantagem competitiva quando combinada com visão de longo prazo, rigor técnico e sensibilidade para integrar produção, pessoas e meio ambiente.

A criação de uma Coordenadoria de Estratégia e Sustentabilidade, liderada por Hellen Cristina Silva Gomes, é um reflexo direto dessa visão: sustentabilidade como decisão de gestão, não como departamento acessório.

“Disponibilizar recursos, tempo e pessoas para essa área mostra, na prática, que a causa é levada a sério e integrada ao planejamento do negócio”, registra o PGQ das fazendas.

O que emerge de Três Pontas, sob a liderança de Ucha, não é apenas uma fazenda premiada. É um modelo de gestão que prova ser possível produzir no mais alto nível enquanto se regenera o ambiente — e que mostra como o agro brasileiro ganha quando diversifica também quem o lidera.

Sobre as Fazendas Caxambu e Aracaçu

Localizadas em Três Pontas, no Sul de Minas Gerais, as Fazendas Caxambu e Araçaçu são propriedades de um grupo familiar liderado por Carmem Lucia, a Ucha. Cooperadas da Cooxupé, e contando com a SMC como a mais importante parceria em seu projeto de exportação de cafés especiais, as fazendas combinam tradição cafeeira com um conjunto crescente de práticas regenerativas voltadas à redução de emissões e ao aumento da biodiversidade.

Esse cuidado também se reflete na qualidade dos cafés produzidos, reconhecida internacionalmente, com destaque para a conquista do primeiro lugar na categoria Natural no Cup of Excellence 2025, o maior e mais importante concurso global de cafés de excelência, promovido no Brasil pela BSCA. A condução desse padrão de excelência sensorial está sob a responsabilidade de Dionatan Almeida, campeão mundial de Cup Tasters, que lidera o trabalho de avaliação e refinamento sensorial da produção.

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Leonardo Assad

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