A exportação de café do Brasil ao Oriente Médio perde ritmo com a guerra, mas a Turquia amplia compras e evidencia a dependência da região pelo produto brasileiro.
Por Marconi Bernardino | Economic News Brasil
Turquia cresce e expõe dependência do café brasileiro no Oriente Médio. (Imagem: Mike Kenneally/Unsplash)
A exportação de café do Brasil para o Oriente Médio começou a desacelerar com a escalada da guerra envolvendo o Irã, mas os dados revelam um ponto mais relevante: todos os países da região seguem dependentes do produto brasileiro. O que mudou foi o ritmo e a estratégia de compra. Atualmente, a Turquia passou a liderar esse movimento.
Entre fevereiro e março de 2026, os embarques perderam força em boa parte dos mercados, com queda tanto em volume quanto em receita. O movimento coincide com o aumento da instabilidade logística e dos custos de comércio, que passaram a influenciar diretamente as decisões dos importadores.
Esse recuo, porém, não indica substituição do fornecedor. O café do Brasil continua presente em toda a região. O que ocorre é uma reorganização das compras, com países ajustando volumes conforme sua capacidade de lidar com riscos e custos.
O principal destaque desse cenário é a Turquia, que se consolidou como o maior comprador de café verde do Brasil no Oriente Médio e ampliou as compras mesmo com o agravamento da guerra.
Em janeiro de 2026, o Brasil embarcou 102,7 mil sacas para o país, com receita de US$ 42,5 milhões. Em fevereiro, o volume subiu para 111,3 mil sacas, com US$ 42,7 milhões. Já em março, já sob maior tensão na região, os embarques avançaram para 157,5 mil sacas, gerando US$ 61,4 milhões.
O crescimento em meio à crise indica mais do que aumento de consumo. A Turquia passou a atuar como um ponto estratégico no comércio regional, seja por capacidade logística, seja por antecipação de compras em um ambiente mais incerto.
Esse papel ganha relevância porque o país também surge como alternativa para rotas afetadas pela guerra, o que ajuda a sustentar o fluxo de exportações brasileiras mesmo com restrições em outras áreas do Oriente Médio.
Enquanto a Turquia cresce, mercados importantes como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Egito reduziram compras entre fevereiro e março. Em alguns casos, embarques que estavam entre 20 mil e 40 mil sacas sofreram recuos relevantes, acompanhados por queda de receita.
O impacto não está apenas na quantidade exportada. Ele também aparece nas condições comerciais. Com maior risco nas rotas e custos mais altos, importadores passaram a renegociar contratos, adiar compras ou reduzir volumes.
Esse comportamento mostra que a guerra não interrompe o comércio, mas altera sua dinâmica. Países com menor margem de adaptação tendem a reduzir exposição, enquanto outros ampliam compras para garantir abastecimento.
O caso do Líbano ajuda a entender essa mudança. O país elevou fortemente as importações em fevereiro, para 34,3 mil sacas, após registrar 7,1 mil sacas em janeiro. Em março, os embarques ficaram praticamente estáveis, em 33,5 mil sacas, com leve queda na receita.
O movimento sugere antecipação de compras diante do risco crescente. Em vez de manter um fluxo regular, os países passaram a agir de forma mais estratégica, ajustando volumes conforme o cenário.
Esse padrão tende a se repetir enquanto persistir a instabilidade. A exportação de café do Brasil para o Oriente Médio não deve desaparecer, mas continuará sujeita a oscilações, com períodos de queda e recomposição.
Para o Brasil, o cenário expõe dois pontos centrais. O primeiro é a força do país como fornecedor global. Mesmo com a guerra, o café brasileiro segue presente em todos os mercados do Oriente Médio.
O segundo é a vulnerabilidade às crises externas. A dependência da região garante demanda, mas também amplia a exposição a choques logísticos e geopolíticos, que afetam diretamente receita e fluxo de exportações de café do Brasil.
No curto prazo, a tendência é de continuidade desse ritmo desigual, com a Turquia sustentando parte das compras enquanto outros mercados operam de forma mais cautelosa. A normalização dependerá da redução das tensões e da previsibilidade nas rotas comerciais.
Marconi Bernardino
Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.
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