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Queda no preço do café preocupa produtores

Preço do café recua em abril, com pressão maior sobre o robusta e mercado volátil

Agrolink – Aline Merladete

Foto: Pixabay

O mercado do café segue pressionado em abril, com recuo nas cotações do robusta e do arábica em meio ao avanço da colheita, à volatilidade cambial e às incertezas no cenário geopolítico. O movimento mais intenso foi registrado no robusta, que atingiu a menor média real em mais de um ano.

Segundo informações divulgadas pelo Cepea, o Indicador CEPEA/ESALQ do café robusta tipo 6, peneira 13 acima, a retirar no Espírito Santo, registrou média de R$ 903,90 por saca de 60 quilos entre 1º e 20 de abril. Em termos reais, corrigidos pelo IGP-DI de março de 2026, esse é o menor valor desde março de 2024, quando a média foi de R$ 892,73 por saca. Na comparação com a média de março de 2026, a baixa chega a 11,55%, evidenciando a pressão mais forte sobre o mercado do conilon neste início de safra.

De acordo com o Cepea, a queda do robusta está diretamente ligada ao avanço das atividades de colheita, que já se mostram mais próximas de ganhar ritmo do que no caso do arábica. Com a entrada gradual da nova oferta no mercado, compradores passam a atuar com mais cautela, enquanto vendedores acompanham o comportamento das cotações em um ambiente de forte oscilação. Esse cenário tende a mexer com as estratégias comerciais no campo, sobretudo entre produtores que monitoram o melhor momento para negociar a safra.

O arábica seguiu a mesma direção, ainda que com intensidade menor. Segundo o Centro de Pesquisas, o Indicador CEPEA/ESALQ do arábica tipo 6, bebida dura para melhor, posto na capital paulista, teve média de R$ 1.824,91 por saca de 60 quilos na parcial de abril. O valor representa queda de 4,6%, ou R$ 88,98 por saca, frente à média de março de 2026. Trata-se também da menor média desde julho de 2025, período em que o mercado estava em plena safra nacional.

Além da colheita, o mercado do café continua reagindo a fatores externos. Ainda segundo o Cepea, os cenários geopolítico e cambial seguem ampliando a volatilidade, o que dificulta a formação de preços mais estáveis e eleva a sensibilidade dos agentes a qualquer mudança no ambiente internacional.

Leonardo Assad

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