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Capal faz ajustes para tornar operação no café mais ‘caseira’

Cooperativa quer reduzir uso de estruturas terceirizadas e operar mais em instalações próprias

Por Raphael Salomão — São Paulo | Globo Rural

Atualmente, cerca de 600 dos quase 3,8 mil associados da Capal são cafeicultores — Foto: David Joyce/CCommons

A Cooperativa Capal, do Paraná, está ajustando sua atuação no mercado de café. A principal mudança é reduzir o uso de estruturas terceirizadas e tornar a operação cada vez mais “caseira”, nas instalações próprias. Em um primeiro momento, a mudança implicará em redução do recebimento em 2026, com a expectativa de retomar o crescimento no futuro.

“Estamos redesenhando o modelo para um modo de operação dentro das nossas possibilidades, para, depois, voltar a crescer de uma maneira mais interna do que externa”, resume o diretor presidente da Capal, Adilson Roberto Fuga.

Atualmente, cerca de 600 dos quase 3,8 mil associados são cafeicultores. O executivo explica que a estrutura não foi suficiente para acompanhar o crescimento rápido da atividade. Em 2022, cooperativa recebeu 114 mil sacas de 60 quilos. Em 2024, o volume chegou a 1,070 milhão.

No ano passado, a Capal recebeu 890 mil sacas de 60 quilos. Mas o mercado viveu um período de incertezas, agravadas pelo tarifaço dos Estados Unidos. Fuga explica que os embarques do grão ficaram “travados”, gerando um custo elevado para carregamento de estoques, reduzindo margens operacionais.

“Tínhamos vendas para os Estados Unidos, que foram cumpridas, sem rompimento de contrato. Mas foram muito mais demoradas que o normal. Hoje, nossa avaliação é de que uma loucura usar tanto serviço terceirizado para cumprir contratos”, diz.

Até abril, a Capal pretende zerar seus estoques e recomeçar a operação mais enxuta, evitando a manutenção de reservas elevadas e custosas. A previsão é de receber, neste ano 500 mil sacas de 60 quilos, e movimentá-las dentro das próprias estruturas.

“Dentro desse novo modelo que estamos tentando desenhar, conseguimos operar mais facilmente. Foi um aprendizado. Crescemos muito rápido, mas é importante continuar a comercializar o café do nosso cooperado e trazer melhores resultados”, diz Fuga.

A cooperativa, com negócios, principalmente na área de grãos, começou a expandir as atividades para a cafeicultura no início dos anos 2000, no Estado do Paraná, onde está sediada. De início, a atuação se concentrava em assistência técnica e fornecimento de insumos para cafeicultores.

A etapa seguinte foi entrar na comercialização, em resposta à demanda dos próprios cooperados. Em 2004, a Capal incorporou uma cooperativa que tinha unidade voltada à cafeicultura no município de Carlópolis (PR). Em 2019, adquiriu uma indústria em Pinhalão (PR) e passou a ter marcas próprias de café.

Em 2023, a cooperativa cruzou a divisa do Paraná com São Paulo e inaugurou uma unidade de recebimento de café no município de Piraju. E em 2024, fez parceria com instituições financeiras para liberar recursos do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) para seus cooperados nos dois Estados.

Adilson Fuga afirma que a meta da Capal é voltar a receber volumes superiores a um milhão de sacas dentro desse novo modelo operacional. E que há planos de investimento para reforçar as instalações dedicadas à cafeicultura.

A cooperativa já adquiriu uma área, no município de Carlópolis (PR). A obra da nova unidade deve ficar para 2027. O diretor-presidente afirma que, neste momento, as taxas de juros para investimentos estão elevadas. Também é preciso concluir a incorporação da Coopagrícola, confirmada neste mês.

Leonardo Assad

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