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Guerra no Oriente Médio pode impactar quase R$ 1 bilhão das exportações do agro capixaba

Vendas do agro capixaba para cerca de 15 países daquela região somam aproximadamente US$ 186 milhões (R$ 967 milhões). Café e pimenta-do-reino são principais produtos

Por Edu Kopernick | Folha Vitória

Café é um dos principais produtos do agro capixaba exportados para o Oriente Médio. Crédito: Divulgação/Izamara Belo

Quase R$ 1 bilhão das exportações do agro capixaba podem sofrer impacto com a guerra entre Estados Unidos e Irã. Estados Unidos e Irã. A escalada do conflito acendeu um sinal de alerta no agronegócio capixaba. Isso porque países da região do Golfo Pérsico formam um mercado relevante para produtos agrícolas do Espírito Santo, especialmente café e pimenta-do-reino. Segundo o secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli, as vendas para cerca de 15 países daquela região somam aproximadamente US$ 186 milhões (R$ 967 milhões), sendo US$ 120 milhões (R$ 624 milhões) em café (verde e solúvel) e US$ 56 milhões (R$ 291 milhões) em pimenta-do-reino, além de outros produtos. Entre eles a carne, madeira e aves.

Estamos falando de um mercado extremamente relevante para o agro capixaba, que envolve cerca de 15 países e movimenta um volume expressivo das nossas exportações.

Enio Bergoli, secretário de Estado da Agricultura

A importância do mercado também aparece na participação desses países nas vendas externas de pimenta-do-reino. O Espírito Santo é o maior produtor e exportador do Brasil e, em 2025, cerca de 20% das exportações capixabas do produto tiveram como destino a região. “A pimenta é muito relevante para o Estado. Somos o maior exportador do Brasil e cerca de 20% das vendas externas seguem para esses mercados”, explicou Bergoli. No caso do café, a presença também é significativa. “Aproximadamente 7% da comercialização capixaba é para esses países”, disse.

Outro ponto de preocupação envolve a logística internacional. Isso porque eventuais restrições de navegação no Golfo Pérsico ou no Estreito de Hormuz podem alterar rotas marítimas e elevar custos de transporte. “Se houver algum tipo de restrição naquele corredor marítimo, as cargas podem precisar buscar rotas alternativas, o que naturalmente aumenta custos e prazos logísticos”, observou o secretário.

Custos de produção do agro podem subir

Além da logística, a guerra pode afetar diretamente os custos de produção no campo. Isso ocorre porque o conflito tende a pressionar os preços do petróleo e de insumos agrícolas.

“Como toda guerra, um dos primeiros efeitos é a alta do petróleo. Ainda mais em um país que é grande produtor como o Irã. Isso impacta diretamente o agro, porque aumenta o custo do diesel e da operação das máquinas”, destacou Bergoli. O secretário lembrou ainda que o transporte de mercadorias no Brasil é majoritariamente rodoviário, o que amplia o efeito do aumento do combustível.

Enio Bergoli aponta que tempo de conflito deve ser decisivo. Foto: Reprodução IdentidadES

Outro fator relevante envolve o mercado de fertilizantes. O Irã é um importante exportador de produtos nitrogenados, insumo fundamental para a produção de adubos. “O Irã exporta fertilizantes utilizados na produção desses insumos. Se houver encarecimento ou restrição, isso pode elevar o custo de produção do agro”, explicou Bergoli.

Apesar das preocupações, o secretário avalia que ainda é cedo para medir os efeitos econômicos da guerra. De um lado, os custos podem subir. De outro, os preços internacionais das commodities agrícolas podem reagir. “É muito cedo para afirmar como ficará a rentabilidade. Existe um consenso de que os preços internacionais podem subir, mas ao mesmo tempo os custos de produção também aumentam”, disse. Para Bergoli, o principal fator será a duração do conflito. “Quanto mais tempo durar a guerra, maiores tendem a ser os impactos. A única certeza neste momento é que os custos de operação tendem a subir”.

Leonardo Assad

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