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Melhores perspectivas de safra derrubam preços do café, mas mercado reage com correção técnica e apoio do dólar fraco

Estimativa recorde da Conab pressiona cotações internacionais, enquanto o arábica em Nova York registra leve recuperação após seis meses de quedas

Safra recorde brasileira derruba preços nas bolsas internacionais

Os preços do café vêm registrando forte recuo nas últimas semanas, refletindo as projeções otimistas para a safra brasileira de 2026. Segundo dados divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) na última quinta-feira (5), o Brasil deve colher 66,2 milhões de sacas, o que representa um aumento de 17,2% em relação ao ano anterior e o maior volume da história.

O destaque é o café arábica, que deve crescer 23,2%, totalizando 44,1 milhões de sacas, enquanto o robusta (ou conilon) deve avançar 6,3%, alcançando 22,1 milhões de sacas. A expectativa de uma oferta robusta, somada à entrada de grãos do Vietnã — que exportou entre 3,4 e 3,7 milhões de sacas em janeiro —, trouxe alívio ao mercado internacional quanto ao abastecimento global no curto prazo.

Mercado global mantém volatilidade e pressões externas

Mesmo com a recuperação recente, o mercado do café segue volátil. Na manhã desta terça-feira (10), as bolsas internacionais operavam de forma mista: o arábica subia moderadamente, enquanto o robusta recuava nos contratos mais próximos, em Londres.

De acordo com o analista de mercado Marcelo Moreira, da Archer Consulting, o movimento reflete um “ajuste natural após as recentes quedas, com investidores reagindo à percepção de que o cenário global de oferta tende a se normalizar até a entrada da próxima safra brasileira 2026/27, prevista para abril”.

Além da influência da safra brasileira, a Colômbia, segundo maior produtor mundial de arábica, também contribui para o comportamento dos preços. Dados da Federação Nacional de Cafeicultores da Colômbia indicam que a produção do país caiu 34% em janeiro, totalizando 893 mil sacas, o que ajuda a conter parte da pressão negativa nos preços.

Reação técnica após queda ao menor nível em seis meses

Na segunda-feira (9), o café arábica atingiu os preços mais baixos dos últimos seis meses na Bolsa de Mercadorias de Nova York (ICE Futures US). O cenário de clima favorável no Brasil e a previsão de safra recorde ampliaram as vendas, levando as cotações abaixo do patamar de US$ 3,00 por libra-peso.

Entretanto, após as quedas intensas, o mercado reagiu com uma correção técnica, impulsionado pela desvalorização do dólar frente ao real e pela alta do petróleo e de outras commodities agrícolas.

Os contratos de março/2026 encerraram a sessão negociados a 299,85 centavos de dólar por libra-peso, alta de 1,1%, enquanto o vencimento de maio/2026 subiu 1,6%, fechando a 293,85 centavos.

Cenário de curto prazo ainda incerto

Embora os preços tenham mostrado alguma recuperação técnica, analistas alertam que a tendência de baixa pode persistir caso se confirmem as previsões de uma safra farta no Brasil e a normalização do fluxo de exportações do Vietnã. A expectativa é que o mercado siga oscilando entre ajustes técnicos e pressões de oferta, até que novas informações sobre o andamento da colheita brasileira definam a direção dos preços.

Fonte: Portal do Agronegócio

Leonardo Assad

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