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Essa quantidade de café por dia está associado a menor risco de demência; diz novo estudo de Harvard

Pesquisadores descobriram que a ingestão moderada de café e chá pode melhorar a função cognitiva

Por O GLOBO — São Paulo

Essa quantidade de café por dia está associado a menor risco de demência; diz novo estudo de Harvard — Foto: Pixabay

Um novo estudo, conduzido por pesquisadores do Mass General Brigham, da Harvard T.H. Chan School of Public Health e do Broad Institute do MIT e Harvard, traz uma boa notícia para os amantes de cafeína em forma de café ou chá. O consumo moderado diário dessas bebidas cafeinadas, equivalente a 2 a 3 xícaras de café e 1 a 2 xícaras de chá, reduziu o risco de demência, retardou o declínio cognitivo e preservou a função cognitiva. Os resultados foram publicados na revista científica JAMA.

“Ao buscarmos possíveis ferramentas para a prevenção da demência, pensamos que algo tão comum quanto o café poderia ser uma intervenção dietética promissora — e nosso acesso privilegiado a dados de alta qualidade, obtidos por meio de estudos realizados há mais de 40 anos, nos permitiu levar essa ideia adiante”, afirma o autor sênior Daniel Wang, cientista associado da Divisão Channing de Medicina em Rede, do Departamento de Medicina do Mass General Brigham e professor assistente da Harvard Medical School, em comunicado. “Embora nossos resultados sejam encorajadores, é importante lembrar que o tamanho do efeito é pequeno e que existem muitas maneiras importantes de proteger a função cognitiva à medida que envelhecemos. Nosso estudo sugere que o consumo de café ou chá com cafeína pode ser uma peça desse quebra-cabeça.”

A prevenção precoce é especialmente crucial para a demência, visto que os tratamentos atuais são limitados e geralmente oferecem apenas um benefício modesto após o aparecimento dos sintomas. O foco na prevenção levou os pesquisadores a investigar a influência de fatores de estilo de vida, como a dieta, no desenvolvimento da demência.

O café e o chá contêm ingredientes bioativos, como polifenois e cafeína, que surgiram como possíveis fatores neuroprotetores que reduzem a inflamação e os danos celulares, protegendo contra o declínio cognitivo. Embora promissoras, as descobertas sobre a relação entre café e demência têm sido inconsistentes, pois os estudos tiveram acompanhamento limitado e detalhes insuficientes para capturar padrões de consumo a longo prazo, diferenças por tipo de bebida ou todo o espectro de resultados — desde o declínio cognitivo subjetivo precoce até o diagnóstico clínico de demência.

Os dados do novo estudo, que tiveram como base o Nurses’ Health Study e o Health Professionals Follow-Up Study, ajudam a superar esses desafios. Os participantes foram submetidos a avaliações repetidas de dieta, demência, declínio cognitivo subjetivo e função cognitiva objetiva, e acompanhados por até 43 anos. Os pesquisadores compararam como o café com cafeína, o chá e o café descafeinado influenciaram o risco de demência e a saúde cognitiva de cada participante.

Dos mais de 130 mil participantes, 11.033 desenvolveram demência. Tanto os voluntários do sexo masculino quanto do sexo feminino com maior consumo de café com cafeína apresentaram um risco 18% menor de demência em comparação com aqueles que relataram pouco ou nenhum consumo de café com cafeína. Os consumidores de café com cafeína também apresentaram menor prevalência de declínio cognitivo subjetivo (7,8% versus 9,5%). Em algumas medidas, aqueles que consumiam café com cafeína também apresentaram melhor desempenho em testes objetivos de função cognitiva geral.

O maior consumo de chá apresentou resultados semelhantes, enquanto o café descafeinado não — sugerindo que a cafeína pode ser o fator ativo responsável por esses resultados neuroprotetores, embora sejam necessárias mais pesquisas para validar os fatores e mecanismos responsáveis.

Os benefícios cognitivos foram mais pronunciados nos participantes que consumiam de 2 a 3 xícaras de café com cafeína ou de 1 a 2 xícaras de chá diariamente. Contrariamente a diversos estudos anteriores, uma ingestão maior de cafeína não apresentou efeitos negativos; pelo contrário, proporcionou benefícios neuroprotetores semelhantes à dosagem ideal.

“Também comparamos pessoas com diferentes predisposições genéticas para o desenvolvimento de demência e observamos os mesmos resultados — o que significa que o café ou a cafeína provavelmente são igualmente benéficos para pessoas com alto e baixo risco genético de desenvolver demência”, afirmou o autor principal, Yu Zhang, estudante de medicina, mestrado, doutorado na Harvard Chan School e pesquisador em treinamento no Mass General Brigham.

Leonardo Assad

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