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Indústria brasileira do café mantém resiliência apesar da alta histórica de preços

Dados da ABIC mostram leve retração no consumo interno em 2025, avanço dos cafés certificados e recorde de faturamento da indústria

Mundo Agro|Fabi Gennarini | R7

Imagem de uma xícara virada derramando grãos de café sobre uma mesa

A indústria brasileira do café voltou a demonstrar resiliência em 2025, mesmo diante de um cenário marcado por forte volatilidade de preços, estoques globais reduzidos e pressão sobre as margens.

Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), o consumo interno totalizou 21,4 milhões de sacas, uma queda de 2,31% em relação ao ano anterior, enquanto o faturamento do setor atingiu R$ 46,2 bilhões, impulsionado pela valorização da matéria-prima.

“O café é um produto extremamente resiliente. Mesmo com aumentos superiores a 200% na matéria-prima nos últimos cinco anos, o consumo caiu apenas 2,3%”, afirmou Pavel Cardoso, presidente da entidade.

O Brasil segue como um dos mercados de café mais completos e dinâmicos do mundo, com informações cada vez mais qualificadas sobre produção, indústria e consumo.

Desde a criação do Selo de Pureza, a entidade já realizou cerca de 200 mil análises, monitorando regularmente produtos nas gôndolas de todo o país.

Entre os destaques de 2025 está o avanço dos cafés certificados, que cresceram 31%, e a forte expansão dos cafés especiais, cuja participação passou de 0,7% para 2,3% — um crescimento de 300%, ainda que represente um nicho em volume. Os cafés tradicionais continuam liderando o mercado, com 38,5%, seguidos pelos gourmets (23,7%) e extrafortes (20,7%).

“O consumidor está mais atento. Ele valoriza cafés certificados, mesmo em um cenário de preços elevados”, destacou o executivo.

A ABIC também apresentou a estrutura da indústria associada, formada majoritariamente por nano, micro e pequenas empresas, que representam 83% dos associados e respondem por grande parte dos produtos certificados disponíveis ao consumidor.

No recorte regional, o Sudeste concentra 41,6% do consumo, seguido pelo Nordeste (26,8%), Sul (14,7%), Norte (8,8%) e Centro-Oeste (8,1%). Já o consumo per capita caiu para 4,82 kg por habitante ao ano, refletindo o impacto direto dos preços nas gôndolas.

Entre os projetos estratégicos para 2026, a ABIC destacou a Gôndola Certificada, que amplia a parceria com o varejo, o programa ABIC no Mundo, voltado à exportação de café industrializado, e o fortalecimento do protocolo brasileiro de avaliação de cafés torrados.

A expectativa para 2026 é de recuperação gradual do consumo, sustentada por uma safra maior e pela redução da volatilidade, ainda que sem quedas expressivas de preços no curto prazo.

“Com uma safra mais confortável, o mercado tende a se estabilizar. E qualquer sinal de acomodação nos preços já estimula o consumo”, concluiu Cardoso.

Leonardo Assad

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