Última atualização: 14/05/2026 às 11:46
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Embaixadora da Agrishow, consultora em cafeicultura falou no Lounge dos Embaixadores sobre produtividade, clima, mão de obra e o papel da tecnologia nas fazendas de café
Por Ana Domingues | Agrishow Digital

Com mais de 94 mil seguidores no Instagram, Priscila Loire se consolidou como uma das vozes da cafeicultura no ambiente digital. Engenheira agrônoma, consultora em propriedades cafeeiras e embaixadora da Agrishow, ela conversou com a Agrishow Digital no Lounge dos Embaixadores sobre gestão, tecnologia, clima, mão de obra e os caminhos para tornar a produção de café mais eficiente.
A trajetória de Priscila nas redes começou durante a pandemia, quando ainda atuava como professora. A pedido dos alunos, passou a levar parte da sala de aula para o Instagram e o YouTube, compartilhando conteúdos sobre café, manejo e gestão.
No início, a ideia era falar com estudantes. Com o tempo, porém, o conteúdo passou a alcançar produtores rurais e profissionais do setor. “Eu nunca imaginei que ia me conectar com produtores. Mas entendi que, às vezes, aquilo que parece óbvio para nós não é óbvio para o produtor. Ainda tem muita desinformação no ar e muita coisa a ser compartilhada”, conta.
Produzir mais não significa lucrar mais
Especialista em gestão de propriedades cafeeiras, Priscila avalia que um dos principais desafios da cafeicultura está em deslocar o foco exclusivo da produtividade para uma análise mais precisa da lucratividade.
Segundo ela, ainda é comum que o produtor seja orientado apenas pela busca de maior volume produzido. O problema é que nem sempre a lavoura mais produtiva é a mais rentável.
“Muitas vezes, o produtor é pautado em produzir mais. Mas ele deve se pautar em lucratividade, porque nem sempre a maior produtividade está onde está a maior lucratividade da lavoura”, explica.
Para a consultora, o primeiro passo é medir, organizar e comparar os dados da fazenda. Muitos produtores registram informações sobre custos e operações, mas ainda têm dificuldade para identificar gargalos por talhão, atividade ou tipo de insumo.
“Tudo que é medido pode ser controlado. Se o produtor não mede nada, ele não consegue controlar. E, se ele não compara, também não sabe o que está bom ou ruim”, diz.
Na prática, isso significa olhar para indicadores como custo operacional, uso de defensivos, desempenho por área e eficiência de cada atividade. A comparação, nesse caso, deixa de ser apenas uma referência externa e passa a ser ferramenta de gestão.
Clima pressiona o café e acelera decisões no campo
A instabilidade climática também aparece entre os fatores que mais impactam a produção brasileira de café. Priscila lembra que o setor vem de um período marcado por El Niño, atraso nas chuvas, altas temperaturas e baixo rendimento das lavouras.
Na avaliação da consultora, esse conjunto de fatores ajuda a explicar o atual patamar de preços do café, mais favorável ao produtor, mas sustentado por um cenário de restrição e incerteza na oferta.
“O preço do café está muito bom, mas isso se deve às adversidades climáticas. Nós viemos de atraso das chuvas, altas temperaturas e baixo rendimento. Tudo isso está associado a problemas climáticos”, pontua.
Para ela, o produtor continuará exposto a novos desafios climáticos nos próximos ciclos. Por isso, tecnologias ligadas à irrigação ganham relevância na cafeicultura.
Priscila, que já atua em áreas totalmente irrigadas, acredita que produtores que antes não consideravam esse investimento passaram a olhar para o tema com mais atenção.
“Tenho certeza de que áreas de café que não eram irrigadas hoje têm produtores visitando estandes de irrigação, entendendo o valor e tentando aplicar, justamente por causa das adversidades climáticas que comprometem a produção”, afirma.
Tecnologia avança do plantio à colheita
A evolução tecnológica na cafeicultura já aparece em diferentes etapas da produção. No plantio, Priscila cita máquinas específicas para a produção de mudas e o uso de GPS para marcação de linhas georreferenciadas.
Com esse recurso, tratores também georreferenciados conseguem percorrer a lavoura com mais precisão, reduzindo danos mecânicos e melhorando a programação operacional.
“O café pode ser plantado com GPS, e essa marcação também vai para a máquina. Isso reduz danos mecânicos, melhora a programação da colheita e traz uma série de benefícios”, explica.
A mecanização também é central para o avanço do café arábica. Segundo Priscila, a tecnologia aumenta o rendimento e a eficiência do trabalho, mas exige um novo olhar sobre a mão de obra no campo.
“Não estamos tirando a mão de obra por causa das máquinas. Essa mão de obra precisa se especializar mais para atingir bons resultados”, diz.
A consultora chama atenção para uma contradição comum nas propriedades: máquinas de alto valor muitas vezes são operadas por profissionais que não receberam treinamento suficiente para aproveitar todos os recursos disponíveis.
“Às vezes, o operador está pilotando uma máquina de milhões e não tem preparo, não conhece as funcionalidades, não sabe como aumentar a performance do maquinário. Isso é uma preocupação”, afirma.
Além da capacitação técnica, Priscila defende a valorização financeira e humana desses profissionais como estratégia para reter mão de obra qualificada.
Drones devem ganhar espaço na rotina da cafeicultura
Entre as soluções observadas na Agrishow, os drones aparecem como uma das tecnologias com maior potencial de crescimento na cafeicultura. Priscila afirma que a presença dessas empresas na feira aumentou de forma evidente.
“Antigamente, os drones tinham um espaço pequeno na feira. Agora já tem uma rua de drone. Fiquei impressionada com o quanto cresceu”, relata.
Para a consultora, a pulverização com drones ainda encontra resistência em parte do setor, mas tende a avançar diante da falta de mão de obra e da busca por mais eficiência operacional.
Ela cita benefícios como agilidade, redução da compactação do solo e possibilidade de atuação em áreas onde a operação convencional é mais difícil. O uso, segundo Priscila, já começa a aparecer inclusive em áreas mecanizáveis, e não apenas onde o trator não consegue entrar.
“Antes se falava em colocar drone onde o trator não ia. Hoje, áreas grandes e mecanizáveis também estão usando drone. Acredito que vai crescer cada dia mais”, avaliou.
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