Última atualização: 25/05/2026 às 21:53
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Presidente Figueiredo (AM): Café impulsiona renda de agricultores familiares na Amazônia

Presidente Figueiredo (AM) — A produção de café na região amazônica tem se consolidado como um novo vetor de desenvolvimento econômico, elevando a renda de agricultores familiares e transformando a paisagem rural de Presidente Figueiredo. O município, conhecido por suas célebres cachoeiras, agora se destaca por cultivar o café robusta, atraindo cada vez mais produtores locais para a cultura.
Mais de 50 agricultores estão se dedicando a essa prática, que hoje ocupa cerca de 100 hectares nas pequenas propriedades da região. Este movimento vem demonstrar que é possível cultivar café de alta qualidade na Amazônia, uma área geralmente relacionada a outras culturas, como açaí e fruticultura. O terreno firme e o clima equatorial têm favorecido a lavoura, segundo os próprios agricultores.
A história de José de Ribamar Nascimento é um exemplo inspirador. Ele começou sua jornada no cultivo de café plantando apenas 200 pés, enfrentando dificuldades iniciais devido ao espaçamento inadequado. No entanto, após um aprendizado e revisão das práticas de cultivo, hoje ele possui uma área cultivada e saudável com um ano e dois meses de idade.
Qual o impacto econômico do café em Presidente Figueiredo?
O café robusta chegou a Presidente Figueiredo por meio de um projeto da Cáritas, envolvido no desenvolvimento sustentável da região. A agricultora Doralice Lemos, que reside no Ramal da Morena há mais de 15 anos, foi uma das pioneiras desta nova empreitada. Ela afirma que a safra inicial trouxe resultados surpreendentes, com colheitas abundantes desde o início do cultivo. “A produção melhorou a renda da minha família de forma significativa. O que começou com 200 pés agora é uma plantação com milhares de mudas”, explicou.
Doralice compartilha com entusiasmo que expandiu sua lavoura adicionando mais 800 pés, seguidos de 300 e, mais recentemente, dois mil pés recém-plantados. A iniciativa individual demonstra como o cultivo de café está se tornando uma base sólida para a economia local, proporcionando sustentabilidade e capacidade de geração de renda.
O sucesso da cafeicultura contribuiu para a criação de iniciativas de apoio ao pequeno agricultor, como o projeto “Trator Solidário”, promovido pela prefeitura. Este programa visa oferecer assistência técnica e mecanização no preparo do solo para áreas de um a dois hectares. O secretário municipal de Agricultura, Jean Barros, salienta que a iniciativa já transformou a economia local, afirmando que “hoje o município oferece assistência técnica, visitas e apoio a todos os agricultores.”
Como foram as celebrações do Festival do Café em Presidente Figueiredo?
Em um marco para a comunidade, o avanço da produção de café motivou a realização do primeiro “Festival do Café” no Ramal da Morena. O evento reuniu produtores locais e representantes da Cáritas, comemorando as conquistas até aqui. O padre José Ocimar, vice-presidente da Cáritas, destacou o impacto social e econômico que essa atividade trouxe para as comunidades rurais.
“Hoje, a associação de produtores conta com mais de 40 associados, e muitos aguardam a oportunidade de se juntar a nós. A agricultura de café tem mudado vidas; muitos agricultores relatam que, desde que começaram a vender café, suas famílias têm vivido com mais tranquilidade financeira,” comentou o padre.
De fato, o agricultor André Castilho observa que a área plantada de café em Presidente Figueiredo cresceu significativamente. Iniciando em 2021 com os primeiros plantios, ele relata que atualmente existem cerca de 110 hectares cultivados em várias comunidades rurais. “Podemos afirmar que Presidente Figueiredo agora possui a maior área plantada de café na região metropolitana do Amazonas,” acrescentou.
Quais os desafios enfrentados pelos novos produtores de café em Presidente Figueiredo?
A produção de café, embora muito promissora, não está isenta de desafios. Muitos agricultores enfrentam problemas relacionados a pragas e ao manejo adequado das plantações. Treinamentos e assistência técnica se tornam essenciais para minimizar esses fatores. José de Ribamar, desde seu início modesto, notou essa necessidade e agora participa de workshops organizados pela prefeitura e organizações sem fins lucrativos.
Além disso, a comercialização do produto ainda é uma área que necessita de melhorias. Os agricultores frequentemente têm desafios em encontrar mercados adequados e preços justos. “Trabalhamos em equipe para enfrentar esses problemas. A união dos agricultores é um passo essencial para garantir que todos tenhamos acesso a melhores condições de venda,” finaliza Doralice.
Para a redação do Diário do Estado, este caso evidencia a importância da colaboração entre os produtores e as organizações locais. Projetos como o de assistência técnica oferecido pela prefeitura são cruciais para capacitar os agricultores a enfrentarem as adversidades que surgem com o crescimento da cafeicultura, fomentando um desenvolvimento mais sustentável e lucrativo na região.
Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção de café no Amazonas ainda é uma atividade incipiente, mas as perspectivas são de que, com o apoio certo, essa cultura possa prosperar ainda mais, contribuindo para a economia local e melhoria da qualidade de vida dos pequenos agricultores. Nossa equipe de jornalismo esteve em contato com diversos produtores e ressaltou a determinação deles em fazer do café um forte pilar do desenvolvimento local.
A equipe do Diário do Estado segue acompanhando o progresso do café em Presidente Figueiredo de perto e trará novas informações assim que forem disponibilizadas pelos agricultores e autoridades locais.
Fonte: Diário do Estado GO
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