Última atualização: 25/05/2026 às 20:49
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Preço do café recua no Brasil após alta histórica, mas categorias premium seguem pressionando o consumidor
Com expectativa de safra maior em 2026, café tradicional e gourmet ficam mais baratos, enquanto descafeinado e especial continuam em alta

(Foto: Diego Leite/Pixabay)
O preço do café começou a apresentar queda no Brasil após anos consecutivos de alta provocada por problemas climáticos e redução da oferta global. Dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) mostram que a maioria das categorias registrou recuo em abril na comparação com o mesmo período de 2025.
O café tradicional e extraforte liderou as reduções, com queda de 15,5% no preço médio do quilo, passando para R$ 55,34. O café superior caiu 12,6%, chegando a R$ 70,37, enquanto o gourmet ficou 3,7% mais barato, com preço médio de R$ 106,66.7
Outras categorias também apresentaram retração. O café em cápsulas registrou redução de 9,4%, com o quilo custando em média R$ 364,16. Já o drip coffee teve queda de 5,2%, chegando a R$ 238,38.
Na contramão do mercado, o café descafeinado e o café especial continuaram em alta. O descafeinado subiu 21% em relação a abril do ano passado, alcançando preço médio de R$ 114,93 por quilo. O café especial avançou 16,8% e passou a custar, em média, R$ 161,26.
Segundo o diretor-executivo da Abic, Celírio Inácio da Silva, o encarecimento do descafeinado está ligado principalmente à dependência do processo de descafeinação realizado fora do Brasil.
De acordo com ele, grande parte do café brasileiro é enviada para países como a Suíça para retirada da cafeína e depois retorna ao mercado nacional, elevando os custos logísticos e industriais. Além disso, poucas empresas brasileiras possuem estrutura para realizar esse procedimento em larga escala.
No caso do café especial, o aumento de preços está relacionado ao maior custo de produção e à baixa escala de distribuição. Para alcançar classificação premium, os produtores precisam investir mais em cultivo, seleção e processamento, o que acaba refletindo diretamente no valor final pago pelo consumidor.
A Abic destaca que os cafés especiais representam apenas cerca de 1% do consumo total de café no país, fator que também limita ganhos de escala capazes de reduzir preços.

Imagem gerada com apoio de I.A
A queda nos preços das categorias tradicionais acontece após uma sequência de problemas climáticos entre 2021 e 2024, período marcado por secas, geadas e calor extremo nas regiões produtoras. A redução da oferta elevou fortemente o custo da matéria-prima e pressionou os preços nas prateleiras.
Segundo a entidade, o preço do grão chegou a subir mais de 120% em 2024, provocando repasses superiores a 70% ao consumidor ao longo de 2025.
O impacto foi sentido diretamente no consumo. Entre janeiro e abril de 2025, o mercado registrou retração de 5% na comparação anual. Neste ano, no entanto, os números voltaram a crescer, com alta de 2,44% nos quatro primeiros meses.
A recuperação está ligada às expectativas positivas para a safra de 2026. A boa florada registrada no segundo semestre do ano passado e a ausência, até o momento, de eventos climáticos severos aumentaram a projeção de oferta para o setor.
Mesmo com a melhora do cenário, a Abic avalia que os preços dificilmente retornarão aos níveis registrados antes de 2020. O mercado global ainda opera com estoques baixos e forte demanda internacional, cenário que mantém pressão sobre a cadeia produtiva do café.
Redação com informações do G1
Fonte: Paraíba Business
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