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Mesmo com queda no volume, café sustenta exportações de Minas no primeiro trimestre

Preços elevados no mercado internacional garantem receita, enquanto produtores enfrentam alta do diesel, dos fretes e dos fertilizantes.

Por EPTV 2 | g1

As exportações do agronegócio de Minas Gerais alcançaram quase US$ 4 bilhões no primeiro trimestre deste ano, respondendo por 38,5% da receita total do estado. O café manteve a liderança como principal produto da pauta exportadora, mesmo com queda no volume embarcado, sustentado pelos preços elevados no mercado internacional.

Segundo os dados, o café respondeu por US$ 2,4 bilhões em exportações, com o envio de 5,4 milhões de sacas no período. A valorização do grão compensou a redução na quantidade exportada, reforçando a importância histórica e econômica do produto para o estado.

“Mesmo com a queda no volume exportado, ou seja, na quantidade, o café manteve uma receita muito elevada por preços altos no mercado internacional, o que evidencia a força da valorização do produto”, afirmou o professor de economia rural da Ufla, Renato Fontes.

Mesmo com queda no volume, café sustenta exportações de Minas no primeiro trimestre — Foto: Reprodução EPTV

Apesar dos números positivos, produtores e empresas do setor enfrentam um cenário de incertezas, influenciado diretamente pela guerra no Oriente Médio. Em Três Pontas, no Sul de Minas, o cafeicultor Danilo Mesquita Andrade relata que os efeitos do conflito já chegaram à lavoura, principalmente por meio da alta do diesel e da instabilidade no comércio exterior.

Parte da produção do agricultor é negociada com a Arábia Saudita, mas os embarques estão temporariamente suspensos.

“A gente está com um trabalho muito forte, começou há dois anos lá na Arábia Saudita. Eles estiveram aqui, nós já fomos lá. O ano passado foi um volume alto para lá e agora nós vamos ter que jogar para a Europa esse volume que nós fizemos, porque por enquanto está tudo parado”, disse.

O impacto do conflito também é sentido na logística. De acordo com o diretor do Porto Seco, Breno Paiva, o aumento do preço do diesel elevou significativamente o custo dos fretes.

“O principal impacto que a gente já identificou foi com relação aos fretes. Como houve esse aumento do diesel e o governo passou a ser mais incisivo na cobrança da tabela de fretes, o preço médio dos fretes aumentou bastante”, explicou.

Mesmo com queda no volume, café sustenta exportações de Minas no primeiro trimestre — Foto: Reprodução EPTV

Outro ponto de atenção é a dependência de insumos importados. O Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas do mundo, é estratégico para o transporte de petróleo. O risco de interrupções na passagem pressiona o preço dos combustíveis e, consequentemente, dos fertilizantes.

“O impacto direto da guerra ocorre principalmente sobre o preço dos insumos e do fertilizante nitrogenado, cuja base é o petróleo. Com a elevação do petróleo, esse custo maior é repassado para os adubos, o que impacta diretamente a produção cafeeira”, destacou Renato Fontes.

Em Varginha, a cooperativa Minasul registrou queda de 21% nas exportações do grão neste ano, na comparação com o mesmo período de 2025. O gerente comercial Heberson Sastre, explica que a redução está ligada à estratégia dos produtores de reter o café, à espera de preços melhores.

“Em outubro de 2024, os preços chegaram a R$ 1.800 e os produtores venderam muito. Depois, com a queda e a posterior retomada dos preços, o produtor ficou mais otimista e segurou parte do café”, afirmou.

Mesmo com queda no volume, café sustenta exportações de Minas no primeiro trimestre — Foto: Reprodução EPTV

Segundo ele, fatores como geada no Cerrado, quebra de safra, estiagem prolongada e perda de grãos no chão contribuíram para a redução do volume exportado no início de 2026.

Para os produtores, o momento é de preocupação. Com custos de produção em alta e pouca margem para repassar os aumentos ao preço final, a rentabilidade da atividade fica ameaçada.

“Toda essa incerteza aumenta o custo dos fertilizantes, e nós não temos poder nenhum de aumentar o preço do nosso produto. Pelo contrário, falando em super safra, a tendência é cair mais. O produtor está numa situação bem difícil este ano”, completou Danilo Mesquita Andrade.

Leonardo Assad

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