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Café oscila entre suporte externo e pressão da safra no Brasil

Alta nas bolsas internacionais, impulsionada por tensão geopolítica e ajustes técnicos, contrasta com preços domésticos pressionados pelo avanço da colheita

Mercado internacional sustenta cotações do café

O mercado do café inicia esta quinta-feira (23) com valorização nas bolsas internacionais, com destaque para a ICE Futures US, onde os contratos do arábica operam em alta. O movimento reflete um ambiente global mais cauteloso, influenciado por tensões no Oriente Médio, especialmente na região do Estreito de Ormuz, que impactam diretamente o petróleo e elevam a aversão ao risco.

Na abertura, o contrato julho/2026 chegou a ser negociado próximo de 293 centavos de dólar por libra-peso. Já o robusta, na ICE Europe, também apresenta ganhos nos principais vencimentos, acompanhando o cenário positivo das commodities.

Ajustes técnicos ampliam ganhos em Nova York

Além do cenário externo, o mercado também reage a fatores técnicos. Na quarta-feira (22), o café arábica encerrou com forte valorização na bolsa de Nova York, impulsionado por cobertura de posições vendidas e ajustes após perdas recentes.

Os contratos com entrega em maio/2026 registraram alta expressiva, enquanto o vencimento julho/2026 também avançou de forma consistente, reforçando o suporte de curto prazo nas cotações internacionais.

Safra brasileira pressiona preços no mercado físico

No Brasil, o avanço da safra segue como principal fator de pressão sobre os preços internos. O aumento gradual da oferta, especialmente do café robusta, limita o repasse das altas externas para o mercado físico.

Segundo o Cepea, a média parcial de abril para o robusta tipo 6 no Espírito Santo está em R$ 903,90 por saca — o menor nível real desde março de 2024 e mais de 11% abaixo do registrado no mês anterior.

Para o arábica, o indicador em São Paulo gira em torno de R$ 1.824,91 por saca, queda de cerca de 4,6% frente a março e o menor patamar desde julho de 2025.

Preços reagem pontualmente, mas negócios seguem lentos

Apesar da pressão da safra, o mercado físico brasileiro registrou elevação de preços na quarta-feira (22), acompanhando parcialmente o movimento externo.

No Sul de Minas, o arábica bebida boa foi negociado entre R$ 1.850,00 e R$ 1.860,00 por saca. No Cerrado Mineiro, os preços variaram de R$ 1.870,00 a R$ 1.880,00 por saca. Já na Zona da Mata, o arábica tipo 7 “rio” foi cotado entre R$ 1.240,00 e R$ 1.250,00.

Para o conilon, os valores chegaram a R$ 910,00/920,00 no Espírito Santo.

Mesmo com a recuperação pontual, o ritmo de negócios permanece moderado. Compradores seguem retraídos, aguardando maior avanço da colheita, enquanto produtores aproveitam momentos de alta para negociações pontuais.

Estoques certificados recuam e dão suporte ao mercado

Os estoques certificados de café da ICE Futures apresentaram queda recente, totalizando 515.537 sacas de 60 quilos em 22 de abril de 2026.

A redução dos estoques contribui para sustentar os preços internacionais, indicando menor disponibilidade imediata do produto nos armazéns credenciados.

Câmbio e cenário global ampliam volatilidade

O dólar comercial opera em leve queda frente ao real, próximo de R$ 4,96, fator que tende a limitar a competitividade das exportações brasileiras.

No cenário macroeconômico, os mercados financeiros apresentam comportamento misto. Bolsas asiáticas encerraram em queda, enquanto na Europa o desempenho é irregular. O petróleo, por sua vez, registra leve recuo após recentes altas.

Esse conjunto de fatores reforça a volatilidade nos mercados de commodities, incluindo o café.

Produtor enfrenta cenário de decisões mais estratégicas

O mercado do café vive um momento de dualidade. Enquanto fatores externos sustentam as cotações, o avanço da safra brasileira impõe limites ao mercado interno.

Para o produtor, o cenário exige cautela e estratégia. A combinação entre bolsas firmes e preços domésticos pressionados torna a comercialização mais desafiadora, exigindo atenção ao timing de vendas e às condições do mercado.

Fonte: Portal do Agronegócio

Leonardo Assad

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