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Clones de café: a chave para a produtividade na cafeicultura capixaba

O uso de clones de café está transformando a produção no Espírito Santo, aumentando a produtividade e promovendo práticas mais sustentáveis

Por Assessoria de Comunicação do Incaper | Conexão Safra

Foto: Daniel Borges/Incaper

A pesquisa e o melhoramento genético vêm transformando a cafeicultura do Espírito Santo, com destaque para o cultivo de clones de café que elevam a produtividade, garantem maior uniformidade das lavouras e ampliam a resistência a pragas e doenças. Desenvolvidas e recomendadas pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), as cultivares clonais têm contribuído para o aumento da renda no campo e para a sustentabilidade da produção. 

O programa de melhoramento do café conilon no Estado é referência nacional. A partir da seleção criteriosa de plantas matrizes com alto desempenho agronômico, foram desenvolvidas cultivares adaptadas às diferentes regiões produtoras capixabas. Entre os principais materiais recomendados estão a Vitória Incaper 8142, com alto potencial produtivo e ampla adaptação regional; a Diamante ES8112, de maturação precoce e elevado rendimento; a Jequitibá ES8122, com estabilidade produtiva e vigor vegetativo; a Centenária ES8132, de ciclo tardio que amplia a janela de colheita; e a Marilândia ES 8143, tolerante à seca. 

Segundo o pesquisador do Incaper Abraão Verdin, o programa de melhoramento genético do café conilon foi responsável por uma profunda transformação na cafeicultura capixaba nas últimas décadas. 

“O desenvolvimento das primeiras variedades clonais representou uma verdadeira revolução no campo, elevando significativamente a produtividade das lavouras. Com o avanço das pesquisas, surgiram materiais cada vez mais produtivos, resistentes e adaptados às condições climáticas do Estado, como a Vitória Incaper 8142 e, posteriormente, cultivares como Diamante ES8112, Jequitibá ES8122 e Centenária ES8132. Hoje, com a combinação entre genética superior e técnicas de manejo, como a poda programada de ciclo, muitas lavouras já alcançam produtividades superiores a 150 sacas por hectare”, explicou. 

Essas cultivares são compostas por conjuntos de clones superiores compatíveis entre si, o que garante maior uniformidade da lavoura, estabilidade produtiva e melhor aproveitamento da colheita. 

Café arábica 

Além do conilon, o Incaper também tem avançado na validação de cultivares de café arábica adaptadas às regiões de maior altitude do Estado. Em maio de 2025, o instituto anunciou a recomendação de novos materiais após seis anos de pesquisas conduzidas em 12 municípios das regiões das Montanhas, Caparaó e Noroeste capixaba. Entre as cultivares indicadas estão Catucaí 785/15, Catucaí Amarelo 2SL, Catucaiam 24137, Japy, Acauã Novo, Arara, IPR 103 e Tupi IAC 1669-33. Os materiais apresentam elevado potencial produtivo, qualidade superior de bebida e resistência a pragas e doenças. 

De acordo com o pesquisador do Incaper Maurício Fornazier, os estudos realizados diretamente em propriedades de agricultores familiares demonstraram ganhos expressivos para a produção de café arábica no Estado. 

“Os resultados mostram que o uso dessas cultivares pode elevar a produtividade das lavouras em até 100% e reduzir significativamente a necessidade de fungicidas para o controle da ferrugem-do-cafeeiro. Além disso, a adoção de materiais com diferentes épocas de maturação permite ampliar o período de colheita, melhorar a qualidade da bebida e otimizar o uso da mão-de-obra familiar e das estruturas de pós-colheita”, destacou. 

De acordo com o secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli, o investimento em ciência é estratégico para manter o Espírito Santo na liderança da produção nacional.  “O fortalecimento da pesquisa e do melhoramento genético garante ao produtor acesso a materiais mais produtivos, resistentes e adaptados às nossas condições climáticas. Isso significa mais competitividade, sustentabilidade e renda no campo. A cafeicultura capixaba é referência porque investe em tecnologia e inovação”, afirmou. 

A gerente de Projetos de Cafeicultura, Aline dos Santos Silva, reforça que os ganhos são potencializados quando as cultivares são associadas às boas práticas de manejo.  “A adoção dos clones e das novas cultivares, aliada à adubação equilibrada, irrigação eficiente, poda adequada e controle fitossanitário, proporciona incrementos significativos de produtividade. Além do aumento do volume colhido, o produtor percebe maior uniformidade da lavoura, menos falhas e melhor organização da colheita”, explicou. 

Leonardo Assad

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