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Do café premium ao azeite, Orfeu aposta em novo negócio de luxo no Sul de Minas

Última atualização: 03/03/2026 às 15:55

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Do café premium ao azeite, Orfeu aposta em novo negócio de luxo no Sul de Minas.

Por LIDE

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Ricardo Madureira, CEO da Orfeu.(Foto: Marcelo Tercetti/Divulgação)

Após consolidar sua presença no mercado de cafés especiais, a Orfeu mira uma nova frente de negócios com estratégia de diversificação e premiumização: o azeite. Segundo a Bloomberg Línea, a produção ocorre no Sul de Minas Gerais, onde a empresa cultiva 65 hectares de oliveiras e tem potencial para produzir até 200 mil litros de azeite premium por ano.

Assim como ocorreu com o café, a incursão nas oliveiras foi estruturada ao longo de anos e só recebeu o “carimbo” da marca após validação de qualidade em concursos internacionais.

O projeto envolve desafios específicos. O conhecimento sobre a cultura no clima da região ainda está em desenvolvimento. A colheita depende de janelas climáticas estreitas, e o processamento precisa ocorrer poucas horas após a retirada das azeitonas para preservar a qualidade. São necessários cerca de dez quilos de azeitona para produzir um litro de azeite premium.

Segundo Ricardo Madureira, CEO da Orfeu, a operação busca retorno financeiro no longo prazo. “A gente não perde dinheiro na produção do azeite. Tivemos um investimento grande, que vai levar tempo para dar retorno, e continuamos investindo, mas a operação do dia a dia já é sustentável”, afirmou em entrevista.

Fabio Gianetti, diretor de marketing da empresa, descreve o negócio como uma operação de pequena escala, custos elevados e baixa previsibilidade de matéria-prima, além de uma curva de aprendizagem agronômica ainda em evolução. “Ainda não é uma operação que dá o payback do investimento todo, mas já é uma operação lucrativa de forma isolada, porque é um nicho, e o valor agregado é muito alto”, disse.

A estratégia remete ao início da atuação da marca nos cafés especiais. Criada em 2005 por Roberto Irineu Marinho e sua esposa, Karen, a Orfeu optou, no começo dos anos 2000, por migrar da produção de grãos commodity para cafés especiais. Nos primeiros anos, o projeto não era economicamente sustentável até atingir escala suficiente para sustentar o negócio.

Hoje, a empresa produz entre 35 mil e 40 mil sacas de café especial por ano, somando produção própria e compras de fazendas certificadas na mesma região. O grupo não divulga valores de investimento, faturamento ou lucro.

No caso do azeite, o projeto começou em 2009, com testes iniciais. A produção teve início em 2014, após a construção de lagar próprio para limpeza, moagem e prensagem das azeitonas. A marca Orfeu passou a ser aplicada ao azeite apenas em 2020, depois de premiações internacionais que validaram a qualidade do produto.

Atualmente, o azeite representa menos de 5% da operação da empresa. A expectativa, segundo Gianetti, é que em cinco a dez anos essa participação alcance entre 10% e 15%, considerando também o crescimento do café.

Madureira reconhece que não há cronograma definido para o payback do investimento agrícola e industrial. No curto prazo, a meta é sustentar a operação com margem e posicionamento premium. No longo prazo, o objetivo é estabilizar a produção, ganhar eficiência e ampliar participação no portfólio.

A estrutura instalada permitiria atingir até 20 mil litros anuais em cenário ideal, a partir de 200 toneladas de azeitonas. Neste ano, porém, a produção chegou a 5 mil litros, a partir de 50 toneladas, impactada por fatores climáticos e desafios no campo.

Para o CEO, o azeite seguirá menor que o café. “O café é o negócio Orfeu”, afirmou. O azeite, segundo ele, funciona “quase como se fosse uma boutique”: operação menor, de preço elevado e voltada ao topo da pirâmide.

Além do potencial financeiro, o azeite cumpre funções estratégicas: diversifica receitas em uma categoria de maior valor agregado, testa o potencial de uma nova cultura agrícola no Sudeste e reforça o posicionamento premium da marca.

Executivos afirmam que o mercado brasileiro já está maduro para aceitar o produto premium e seu custo. A recente crise global do azeite, com queda de produção na Europa e alta de preços, também reduziu a diferença entre importados e o azeite brasileiro premium, impulsionando a experimentação por parte dos consumidores.

Segundo Madureira, ainda há desafio de comunicação para demonstrar a qualidade do produto nacional. A comparação, afirma, deve ser feita com azeites europeus de mesmo patamar de qualidade e preço, além de considerar o frescor como diferencial competitivo.

A lógica de preço, segundo Gianetti, decorre da escolha por qualidade em vez de volume. A empresa abre mão de produtividade para colher e extrair no ponto considerado ideal, o que eleva custos e limita escala.

Para os próximos anos, o desafio será ampliar essa operação “boutique” sem comprometer qualidade reconhecida, margem operacional e a capacidade de educar o consumidor sobre o valor do produto. Madureira afirma ver o mercado com otimismo, apoiado na tendência de premiumização observada em setores como café, chocolate, cerveja e vinho no país.

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