Última atualização: 14/05/2026 às 18:06
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Ações, aquisições e negócios recentes apontam a China como destino para o café.
A Rota da Seda foi uma importante rede de rotas comerciais da Ásia Oriental, iniciada no Século II D.C. durante a Dinastia Han, da China. Era uma conexão importante entre Ocidente e Oriente para as atividades comerciais com especiarias, chá, porcelana e, principalmente, a seda, produzida na China, além da pólvora, que influenciaram fortemente a cultura européia. Sendo originada numa cultura milenar e de base filosófica budista, a Rota da Seda serviu como portal para a difusão cultural e gastronômica no Ocidente.
A Rota da Seda ou Silk Road tinha histórias que uniam diferentes países e culturas, sendo tema de uma das mais extensas séries documentais de TV, produzida pela empresa estatal japonesa, a NHK, nos anos 80, que teve trilha sonora composta pelo músico Kitaro. Você pode assistir os capítulos da série no Youtube.

Espresso. Foto: Ensei Neto/Arquivo Pessoal
O mercado do café, apesar das turbulências climáticas, devido às traquinagens da dupla El Niño e La Niña, que afetou diversas safras nos últimos anos, levando a preços muito elevados como nunca, manteve trajetória de crescimento em seu consumo. Mercados como o europeu e o norte americano são considerados maduros, mantendo um padrão de consumo com discreta tendência de crescimento, diferente do que se observa no Sudeste Asiático e Extremo Oriente, onde está em alta.
Um dos pontos que determina o crescimento dos mercados é o tamanho da população com poder aquisitivo suficiente para demandar produtos da moda global.
Exemplar é o caso da China, que em pouco mais de 50 anos tornou-se país fortemente industrializado, gerador de tecnologias de ponta e estabeleceu o mais impressionante mercado consumidor mundial. Diga-se, de quase tudo.
Nos anos 1980, houve um forte movimento para que sua massa estudantil estudasse em escolas de alto nível em diferentes países por meio de programas de intercâmbio, gerando a base intelectual que move os avanços na China de hoje.
As novas gerações alcançaram novos patamares de refinamento de consumo, criando um mercado onde tudo começa grande. Com o movimento do café e cafeterias não foi diferente.

Luckin Coffee. Logomarca, divulgação.
No início do desbravamento do mercado chinês ao café, foi o solúvel o produto de entrada, como geralmente acontece, por ser de fácil preparo e versátil em seu consumo. Em seguida, as primeiras redes de cafeterias iniciaram operação, abrindo segmento que mantém constante e vigoroso crescimento.
A gigante suíça Nestlé, anos atrás, adquiriu a rede norte americana Blue Bottle Coffee, conhecida pelo design minimalista de suas embalagens e lojas frequentadas por um público descolado. Recentemente desfez dessa parte da operação, passando ao fundo de investimentos Centurium Capital Management, acionista controlador da rede chinesa Luckin Coffee, por cerca de US$400 milhões, bem abaixo dos US$ 700 milhões avaliados em 2017. É importante notar que a Nestlé reteve a divisão de varejo, entenda-se supermercados, da Blue Bottle, terreno que domina como poucos, ao contrário da complexidade das cafeterias.
Alguns analistas consideram a aquisição estratégica, uma vez que a chinesa Luckin Coffee, com mais de 30.000 lojas, vem operando em território norte americano, onde a rede Starbucks é soberana com suas mais de 40.000 lojas.
Em 2025, durante visita técnica ao Brasil, dirigentes da Luckin Coffee anunciaram a intenção de compra de 4 milhões de sacas de café para suprir suas lojas, provocando enorme especulação sobre a capacidade de consumo da China.
Num momento de ajustes de operação, com vistas a recuperar o faturamento e garantir resultados positivos, a Starbucks vem fechando diversos pontos em todo o mundo, não sendo diferente no mercado chinês, onde alguns espaços ocupados pelas lojas Reserve já foram desfeitos. Por esta razão, por meio de um comunicado oficial, a Starbucks anunciou a joint venture com a chinesa Boyu Capital, movimento estratégico de longo prazo para aquele mercado.

Placa 1ª Loja Starbucks, Seattle. Foto: Ensei Neto/Arquivo Pessoal
Pelos termos do acordo, os fundos de investimentos da Boyu Capital ficam com 60% nas operações de varejo, enquanto a Starbucks mantém participação em 40%, além de deter o licenciamento da marca e propriedade intelectual para a joint venture.
No entanto, a oportunidade de fornecimento de café é enorme para os produtores brasileiros, indicando que um caminho, tal qual foi a antiga Rota da Seda, está interligando hoje a China às origens de café.
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