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Café produzido na entressafra pode ampliar mercados para produtores de Roraima

Última atualização: 05/05/2026 às 16:46

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Produção aposta no robusta amazônico e se beneficia do período de entressafra nacional para ampliar espaço no mercado.

Por Raquel Maia, Amazônia Agro — Boa Vista | g1

cafeicultura em Roraima ganha força ao aproveitar o período de entressafra das principais regiões produtoras do país, o que pode garantir preços mais atrativos no mercado. O setor é impulsionado por pesquisa, tecnologia e pelo cultivo de variedades adaptadas ao clima quente do estado.

A aposta recai sobre o café da espécie Coffea canephora, especialmente o robusta amazônico, como principal alternativa de expansão. O assunto foi destaque no Amazônia Agro deste domingo (3).

O agricultor e produtor de mudas de café Davis Queiroz explicou que essa variedade, desenvolvida pela Embrapa, apresenta bons resultados em estados da região Norte e também se consolida em Roraima.

A expectativa é que a grande safra aconteça entre os meses de novembro e janeiro. Além do mercado interno, a localização geográfica do estado abre possibilidades de exportação para países vizinhos, como Guiana e Venezuela, considerados potenciais compradores da produção roraimense. A proximidade pode reduzir custos logísticos e ampliar a competitividade do café produzido na região.

“A nossa produção vai sair num momento em que vai estar em baixa no restante do Brasil. Então o preço aqui em Roraima vai ficar sempre bom pra gente”, explicou Davis Queiroz.

A produção em Roraima também deve seguir o perfil da cafeicultura mundial, baseada em pequenas propriedades e na agricultura familiar.

Segundo Davis, com avanço das áreas plantadas e o apoio técnico de instituições de pesquisa, a expectativa é de crescimento da cafeicultura em Roraima, que já é vista como uma nova fronteira para a produção de café na região Norte.

Condições climáticas favoráveis

A escolha da variedade robusta amazônico está diretamente relacionada às condições climáticas do estado, que tem altas temperaturas e período de estiagem, especialmente nas áreas do lavrado, onde a vegetação é aberta e lembra o cerrado.

Nesse cenário, o cultivo exige manejo adequado, principalmente com o uso de irrigação, considerada essencial para garantir a produtividade. “O café robusta, a grande característica dele é você precisar de uma irrigação. O nosso verão é muito forte”, destacou o produtor.

Apesar dos desafios iniciais, os testes realizados nos últimos anos indicam que a cultura tem boa adaptação na região, especialmente com o uso de clones de alta produtividade. Em áreas experimentais, em Bonfim, produtores estão testando diferentes técnicas de cultivo, adubação e irrigação, transformando o estado em um campo de desenvolvimento para a cafeicultura.

Um dos principais diferenciais de Roraima está no calendário produtivo. Diferente das principais regiões produtoras do país, a colheita local ocorre em um período de menor oferta nacional, o que pode garantir preços mais atrativos.

Café robusta amazônico rpoduzido em Roraima — Foto: Raquel Maia/Rede Amazônica

Café robusta amazônico rpoduzido em Roraima — Foto: Raquel Maia/Rede Amazônica

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