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Plataforma gratuita mede emissões na cafeicultura

Última atualização: 05/04/2026 às 17:55

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Metodologia GHG Protocol foi adaptada para a cafeicultura por pesquisadores da Unicamp

Por Daniel Azevedo Duarte — Campinas (SP) | Globo Rural

Fazendas de café no Sul de Minas Gerais testaram a ferrramenta

Fazendas de café no Sul de Minas Gerais testaram a ferrramenta Foto: Divulgação

Produtores de café de todo o Brasil têm acesso gratuito, desde fevereiro, a uma plataforma para mensurar emissões de gases de efeito estufa e o balanço de carbono de suas propriedades.

Desenvolvida por pesquisadores do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri), da Unicamp, a ferramenta foi criada para apoiar a cafeicultura na quantificação de emissões, remoções e oportunidades de melhoria no manejo.

O projeto segue a metodologia do GHG Protocol, referência internacional para inventários de gases de efeito estufa desenvolvida com apoio do World Resources Institute (WRI). A plataforma destinada à cafeicultura foi certificada pelo WRI.

A adaptação para a cafeicultura começou a ser desenhada em 2021, em meio à pandemia, a partir de uma demanda apresentada pela Cooxupé, a maior produtora de café no Brasil.

“A cooperativa buscava uma ferramenta capaz de contabilizar emissões no setor e dar base técnica para prestação de contas a compradores e, futuramente, a eventuais processos de certificação”, diz Renata Gonçalves, pesquisadora do Cepagri.

A plataforma foi estruturada em formato de planilha Excel, de acesso aberto, e automatiza o cálculo das emissões a partir das informações inseridas pelo usuário. Como o arquivo é baixado no computador do usuário, os dados não são compartilhados.

O questionário tem cerca de 50 perguntas, que abrangem desde uso de insumos e fertilizantes nitrogenados até consumo de combustível, área da propriedade, histórico do sistema produtivo, mudanças no uso do solo e práticas de manejo. O preenchimento pode ser feito pelo produtor e também extensionistas ou consultores.

Para Renata, a abertura pública da planilha atende a uma demanda crescente por transparência ambiental na cadeia do café. “Eles demandavam uma ferramenta para o balanço de carbono na cafeicultura, porque precisam cada vez mais demonstrar isso para as empresas que compram o café deles”, afirmou.

Segundo ela, embora a ferramenta não conceda certificação aos produtores, ela pode funcionar como base técnica inicial para esse tipo de reconhecimento.

Sul de Minas

A ideia de adaptar o protocolo ao café nasceu a partir da experiência anterior da equipe com outras frentes, como o GHG Floresta. “Com essa base inicial, surgiu a ideia de fazer uma plataforma como o GHG Protocol para floresta, mas para o café”, explica João Paulo da Silva, hoje pesquisador da Embrapa e participante do projeto.

Ele lembra que o trabalho foi construído sobre uma trajetória mais longa de desenvolvimento de metodologias tropicalizadas para o agro brasileiro, voltadas a suprir a carência de fatores de emissão ajustados às condições do país.

Antes da abertura ao público, a ferramenta foi testada em 61 fazendas localizadas principalmente em Guaxupé, Guaranésia e outras cidades do sul de Minas Gerais, para avaliar a clareza do questionário e identificar ajustes necessários.

A ferramenta foi entregue à Cooxupé em junho de 2025 e, no início de 2026, voltou a ser aplicada em novos produtores. A liberação pública ocorreu após validação da WRI, responsável por aprovar a aderência do método à metodologia aberta do GHG Protocol.

João Paulo ressalta que a qualidade do resultado depende diretamente da consistência das informações fornecidas. “O preenchimento criterioso permite ao produtor ter reconhecimento por práticas sustentáveis já adotadas, além de construir uma base confiável para futuras oportunidades de mercado, especialmente se o Brasil avançar na regulamentação do mercado de carbono”, lembra.

Sequestro de carbono no solo reduz emissões e custo de produção — Foto: Divulgação

Sequestro de carbono no solo reduz emissões e custo de produção — Foto: Divulgação

Benefícios

A principal utilidade da plataforma é permitir que o produtor compreenda onde estão os principais focos de emissão dentro do sistema produtivo e, a partir disso, identifique formas de melhorar a eficiência.

“A metodologia do GHG Protocol ajuda a fazer uma gestão das emissões na atividade sem abrir mão da rentabilidade do negócio, pelo contrário, com objetivo de melhorar os resultados”, aponta João.

Além do ganho direto em gestão ambiental, os pesquisadores destacam co-benefícios práticos para a administração da fazenda.

“Minha expectativa é que os produtores vejam que podem entender melhor o negócio deles e identificar oportunidades de melhoria. Pode melhorar a gestão da fazenda”, afirma.

Em geral, os resultados mostram que muitas propriedades cafeeiras apresentem indicadores favoráveis, já que o café, por ser uma cultura perene e de maior porte, também tem capacidade relevante de sequestro de carbono.

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