Preço do café recua no Brasil após alta histórica, mas categorias premium seguem pressionando o consumidor
Com expectativa de safra maior em 2026, café tradicional e gourmet ficam mais baratos, enquanto descafeinado e especial continuam em alta
(Foto: Diego Leite/Pixabay)
O preço do café começou a apresentar queda no Brasil após anos consecutivos de alta provocada por problemas climáticos e redução da oferta global. Dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) mostram que a maioria das categorias registrou recuo em abril na comparação com o mesmo período de 2025.
O café tradicional e extraforte liderou as reduções, com queda de 15,5% no preço médio do quilo, passando para R$ 55,34. O café superior caiu 12,6%, chegando a R$ 70,37, enquanto o gourmet ficou 3,7% mais barato, com preço médio de R$ 106,66.7
Outras categorias também apresentaram retração. O café em cápsulas registrou redução de 9,4%, com o quilo custando em média R$ 364,16. Já o drip coffee teve queda de 5,2%, chegando a R$ 238,38.
Na contramão do mercado, o café descafeinado e o café especial continuaram em alta. O descafeinado subiu 21% em relação a abril do ano passado, alcançando preço médio de R$ 114,93 por quilo. O café especial avançou 16,8% e passou a custar, em média, R$ 161,26.
Segundo o diretor-executivo da Abic, Celírio Inácio da Silva, o encarecimento do descafeinado está ligado principalmente à dependência do processo de descafeinação realizado fora do Brasil.
De acordo com ele, grande parte do café brasileiro é enviada para países como a Suíça para retirada da cafeína e depois retorna ao mercado nacional, elevando os custos logísticos e industriais. Além disso, poucas empresas brasileiras possuem estrutura para realizar esse procedimento em larga escala.
No caso do café especial, o aumento de preços está relacionado ao maior custo de produção e à baixa escala de distribuição. Para alcançar classificação premium, os produtores precisam investir mais em cultivo, seleção e processamento, o que acaba refletindo diretamente no valor final pago pelo consumidor.
A Abic destaca que os cafés especiais representam apenas cerca de 1% do consumo total de café no país, fator que também limita ganhos de escala capazes de reduzir preços.
Imagem gerada com apoio de I.A
A queda nos preços das categorias tradicionais acontece após uma sequência de problemas climáticos entre 2021 e 2024, período marcado por secas, geadas e calor extremo nas regiões produtoras. A redução da oferta elevou fortemente o custo da matéria-prima e pressionou os preços nas prateleiras.
Segundo a entidade, o preço do grão chegou a subir mais de 120% em 2024, provocando repasses superiores a 70% ao consumidor ao longo de 2025.
O impacto foi sentido diretamente no consumo. Entre janeiro e abril de 2025, o mercado registrou retração de 5% na comparação anual. Neste ano, no entanto, os números voltaram a crescer, com alta de 2,44% nos quatro primeiros meses.
A recuperação está ligada às expectativas positivas para a safra de 2026. A boa florada registrada no segundo semestre do ano passado e a ausência, até o momento, de eventos climáticos severos aumentaram a projeção de oferta para o setor.
Mesmo com a melhora do cenário, a Abic avalia que os preços dificilmente retornarão aos níveis registrados antes de 2020. O mercado global ainda opera com estoques baixos e forte demanda internacional, cenário que mantém pressão sobre a cadeia produtiva do café.
Redação com informações do G1
Fonte: Paraíba Business
CAFÉ: Expocafé 2026 começa hoje em Três Pontas A Expocafé 2026 começa nesta terça-feira (26),…
Pequenas propriedades respondem por mais da metade dos produtores de café no Brasil Segundo o…
Com 26 mil pés plantados, Vila Velha prepara estreia no mercado do café Redação Multimídia…
Gestão rural inclui medidas de prevenção trabalhista na cafeicultura Guia orienta produtores sobre fiscalização, respeito…
Governo do estado apresenta o alto nível do café Robusta Amazônico na 13ª Rondônia Rural…
Cafeicultura acreana avança em produção, qualidade e reconhecimento nacional Por Vanessa Sousa | Governo do Estado…