Por Giullia Gurgel | Rádio Itatiaia
No momento, aumento na exigência coincide com preços mais baixos • Canva/ Banco de imagem
Muito além do hábito matinal, o café agora é lifestyle. O consumo automático das famílias deu espaço a uma nova cultura entre os jovens, que transformaram a bebida em símbolo de bem-estar e sofisticação. Durante seminário da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC) realizado nesta terça-feira (12), lideranças do setor revelaram que o novo perfil do consumidor, focado em saúde e origem, contribui para o faturamento do campo e forçam a indústria a elevar o padrão de qualidade.
Para Sérgio Meirelles, presidente do Sindicafé-MG, a grande virada do setor é o entendimento do café como um suplemento natural. Em um momento de queda no consumo de álcool e açúcar, o café surge como o substituto ideal para os jovens frequentadores de academia que buscam performance.
“O jovem está trocando a taurina (nos energéticos) e os isotônicos pela cafeína. É um produto que dá entusiasmo, revigora e hidrata sem os danos dos industrializados”, afirmou Meirelles.
Segundo o dirigente, o fenômeno é acompanhado por uma mudança global. O uso de novas tecnologias de saúde, como as canetas emagrecedoras, tem reduzido o desejo por açúcar (queda de 25%) e álcool, abrindo caminho para o café especial. “O assunto na academia não é mais o que você comprou no supermercado; é qual café você toma, qual a origem e qual o processo de preparo”, completou.
O mercado de cafés especiais — aqueles com certificações e notas sensoriais elevadas — cresce a um ritmo de 15% ao ano, superando de longe os 2,5% do café comercial. Esse avanço é empurrado por uma geração que exige rastreabilidade: querem saber se o grão vem da Mantiqueira de Minas ou da Chapada de Minas e se a fazenda respeita critérios ambientais.
A chegada de redes internacionais como a colombiana Juan Valdez e a expansão de cafeterias de especiais no Brasil consolidam essa tendência. “O brasileiro está exigindo qualidade. E uma vez que o consumidor experimenta um café melhor, ele não volta atrás. O paladar não retrocede“, destacou Meirelles.
Uma boa notícia para os “coffee lovers”, é que o aumento na exigência coincide com um momento de preços mais baixos. Após anos de safras frustradas por questões climáticas, 2026 promete ser um ano de colheita recorde. O quilo, que chegou a custar R$ 80 em 2025, já é encontrado por menos de R$ 30.
Pavel Cardoso, presidente da ABIC, ressaltou que essa redução de preço é fundamental para democratizar o acesso aos cafés de qualidade superior. Mesmo durante a crise de 2024, quando os preços subiram 80%, o consumo caiu apenas 2%, provando a resiliência da bebida. Agora, com a safra recorde e a queda nas cotações, a expectativa é que a indústria consiga repassar ainda mais descontos no segundo semestre, fomentando esse novo ciclo de consumo consciente e qualificado.
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