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100g de café vendido por R$ 10 mil pode render a xícara mais cara do Brasil

Microlote de produtor rural de Minas Gerais foi vendido em leilão realizado nas redes sociais; xícara pode superar R$ 1,4 mil

Por Gabriella Weiss, da CNN Brasil, São Paulo

  • Divulgação

Um microlote de 100 gramas de café arábica da variedade geisha foi vendido por R$ 10 mil em um leilão de 24 horas realizado nas redes sociais na sexta-feira (8). O lote foi adquirido de forma conjunta pela exportadora Coffee Senses e pela corretora Tribo da Cafeína.

O café foi produzido por Luiz Paulo Dias Pereira Filho, na Fazenda Rarus, em Carmo de Minas (MG). Segundo os organizadores do leilão, o microlote recebeu avaliação sensorial de 92 pontos. O produto passou por seleção manual, fermentação a frio durante sete dias e processamento especial.

De acordo com os compradores, o lote foi dividido igualmente entre as duas empresas. A diretora comercial da Coffee Senses, Ana Flávia Fernandes, afirmou que a aquisição reconhece o trabalho de produtores dedicados à produção de cafés especiais. Já o sócio e cofundador da Tribo da Cafeína, Fábio Ruellas, disse que a empresa busca cafés raros e de alta pontuação.

“É muito especial poder provar cafés desse nível, que não deixam absolutamente nada a desejar a nenhum outro grande café do mundo. Pelo contrário, são cafés que mostram a força, a sofisticação e o potencial extraordinário que o Brasil tem na produção de grãos especiais”, disse Ruellas.

Os 100 gramas comercializados permitem o preparo de cerca de 1,4 litro da bebida, o equivalente a aproximadamente sete xícaras de 200 ml. Considerando o valor total pago, cada dose teria custo superior a R$ 1,4 mil.

“Certamente esse é um preço recorde pago por uma xícara de café no Brasil, quiçá globalmente, e ele alça o patamar dos cafés de luxo brasileiros a níveis similares de valores pagos pelos melhores vinhos do mundo”, afirmou Luiz Paulo.

O produtor afirmou que pretende ampliar a produção de micro e nanolotes por meio do “Projeto Rarus”, voltado ao mercado de cafés especiais.

Na semana passada, o produtor já havia comercializado outro microlote de 70 gramas da mesma variedade geisha por R$ 3 mil.

“Assim como no vinho, queremos fazer do café um interesse de diversos públicos para que passem a conhecer a experiência, da colheita à bebida pronta. É incentivar o movimento de coffeemakers”, destacou o produtor em entrevista ao CNN Agro na ocasião.

Para o produtor, o episódio reflete uma mudança de percepção sobre o café brasileiro, tradicionalmente tratado como commodity. “Estamos começando a mostrar que o café também pode ser um produto de luxo, com identidade, assinatura. Assim como no vinho, o consumidor passa a valorizar quem produz, como produz e quais histórias estão por trás da bebida.”

Luiz Paulo foi reconhecido como a primeira “lenda mundial do café especial” do Brasil pela BSCA (Associação Brasileira de Cafés Especiais) e pela Alliance for Coffee Excellence. Segundo ele, o objetivo é ampliar o interesse do público por cafés especiais e destacar métodos de produção e rastreabilidade da bebida.

Leonardo Assad

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