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Custos sobem e reduzem margem do café paulista

Alta de insumos reduz ganho na cafeicultura

Agrolink – Seane Lennon

Foto: Pixabay

Painéis do projeto Campo Futuro, conduzidos pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil com apoio do Sistema Faesp/Senar e de sindicatos rurais, indicam margens positivas na cafeicultura paulista, porém mais estreitas diante da alta dos insumos e da queda nos preços do café. Os levantamentos foram realizados nos municípios de Caconde e Franca, polos produtores do estado, com base em propriedades representativas dos sistemas de produção locais.

Em Caconde, o estudo considerou uma propriedade de 5 hectares, com produtividade média de 39 sacas por hectare, cultivo não irrigado e manejo manual. O resultado representa aumento de 39% no rendimento em relação ao levantamento anterior. O Custo Operacional Efetivo (COE) por hectare subiu 12%, impulsionado principalmente pelos fertilizantes. Mesmo com margens positivas, houve retração média de 30% frente ao ano anterior, influenciada pela elevação dos custos e pela queda nos preços do café após os níveis registrados no último ciclo.

Em Franca, a propriedade modal analisada possui 50 hectares, com sistema não irrigado e manejo mecanizado. A produtividade foi estimada em 35 sacas por hectare, aumento de 32% em relação à safra anterior. O COE por hectare avançou 16% em comparação a 2025. A valorização das terras agrícolas também elevou o capital imobilizado, exigindo maior retorno para manutenção da rentabilidade.

Segundo os dados do projeto, a queda dos preços do café, associada ao aumento dos custos de produção e colheita, reduziu a receita projetada em Franca. As margens permaneceram positivas, sustentadas pela recuperação da produtividade, mas apresentaram retração superior a 30%.

De acordo com as entidades, os levantamentos indicam que a atividade segue cobrindo os custos diretos no curto prazo, mas o cenário reforça a necessidade de ganhos de produtividade, eficiência operacional e gestão para sustentar a atividade.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil e o Sistema Faesp/Senar destacam que os resultados do Campo Futuro oferecem base técnica para o planejamento produtivo e para a atuação institucional na formulação de políticas públicas voltadas ao setor.

Leonardo Assad

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