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Café amplia perdas na manhã desta segunda e pressão do câmbio pesa sobre o produtor brasileiro

Com dólar mais fraco, mercado externo recua e comercialização no Brasil segue travada mesmo com entrada de safra

O mercado futuro do café intensificou o movimento de baixa na manhã desta segunda-feira, 13 de abril, refletindo um ambiente ainda pressionado pelo cenário macroeconômico e pela leitura de oferta global. Por volta das 11h (horário de Brasília), as cotações ampliavam as perdas, especialmente para o arábica.

Na Bolsa de Nova York, o café arábica operava majoritariamente em queda. O contrato maio/26 era cotado a 300,15 cents/lb, com alta de 5 pontos. O julho/26 recuava para 294,95 cents/lb, com baixa de 95 pontos. Já o setembro/26 era negociado a 280,40 cents/lb, com queda de 70 pontos.

No robusta, negociado na ICE Europa, o mercado também registrava pressão. O contrato maio/26 era cotado a US$ 3.324 por tonelada, sem variação em pontos. O julho/26 recuava para US$ 3.232 por tonelada, com baixa de 7 pontos. O setembro/26 era negociado a US$ 3.172 por tonelada, com queda de 7 pontos.

A queda do dólar frente ao real reduz a competitividade do café brasileiro no mercado internacional, pressionando as cotações e desestimulando a comercialização. Esse movimento é resultado de fluxo global de capitais e não de uma mudança estrutural na economia brasileira, o que mantém o ambiente volátil.

Olhando para o mercado brasileiro, o físico segue com alguma sustentação. Mesmo com o início da entrada da nova safra, o volume disponível ainda aparece de forma gradual, enquanto produtores mantêm postura cautelosa na comercialização diante dos níveis atuais de preços.

Além disso, o câmbio mais baixo contribui para um ritmo mais lento de comercialização. Esse comportamento, somado a estoques ainda ajustados e custos elevados no campo, impede que o mercado interno acompanhe na mesma intensidade as quedas observadas nas bolsas internacionais.

O momento reforça uma dinâmica importante: enquanto o mercado externo reage ao fluxo financeiro e ao câmbio, o Brasil segue operando sob uma lógica própria, marcada pelo ritmo da colheita e pela estratégia do produtor.

Para o cafeicultor, o cenário desta manhã exige atenção redobrada. A combinação entre pressão externa e sustentação interna cria um ambiente de incerteza, onde oportunidades podem surgir, mas exigem leitura cuidadosa do mercado e timing na tomada de decisão.

Por: Priscila Alves / Instagram: @priscilaalvestv

Fonte: Notícias Agrícolas

Leonardo Assad

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