Lucas Lopes (CEO) e Fabio Iori, os cofundadores da Umbloco. — Foto: Divulgação
Lucas Lopes, 33 anos, ficou surpreso quando descobriu que o Brasil é um dos maiores produtores de lixo plástico no mundo. Ele resgatou a brincadeira favorita da infância – montar casas com Lego – quando decidiu empreender para ajudar a solucionar esse problema. Ele é o fundador e CEO da Umbloco, startup que produz blocos de plástico reciclável para a construção civil e atende nomes como Localiza, 3 Corações e The Best Açaí.
O embrião da Umbloco surgiu quando Lopes estava na faculdade de administração. Ele precisou criar um protótipo de startup como trabalho de conclusão de curso e se inspirou na experiência familiar no setor de construção civil para propor uma forma de redução de desperdício.
“Eu entendia as dores do mercado e já olhava para a construção modular como o futuro. Vi que o Brasil é um dos maiores produtores de lixo plástico no mundo e reciclava apenas 1,2% naquela época”, relembra o empreendedor.
Inicialmente, o jovem pensou em oferecer o produto para o B2C, de olho no público que tinha queixas por causa da mão de obra em reformas e novas construções, mas logo percebeu que encontraria resistência por se tratar de uma empresa desconhecida, nova no mercado. Ele apresentou a ideia da startup para Fabio Iori, 33, que embarcou no projeto em 2021.
O conceito foi melhor desenvolvido durante um processo de aceleração. “Ficamos cerca de dois anos criando o produto junto ao Sebrae e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), procurando fornecedores para ajudar com a matéria-prima. Foram muitas iterações até chegar ao modelo atual”, conta Iori. Em 2023, a Umbloco foi oficialmente lançada.
A startup utiliza plástico reciclado para desenvolver blocos utilizados pela construção civil, com montagem rápida que dispensa mão de obra especializada e reduz resíduos de obra. O material também pode ser desmontado e transportado conforme necessidade. Uma estrutura metálica é colocada dentro dos blocos para garantir sustentação e segurança. “Nos inspiramos nos blocos de alvenaria e concreto e fizemos as adaptações pensando em hidráulica e elétrica”, pontua Lopes.
A Umbloco recebe os insumos de cooperativas e indústrias parceiras e transforma o material com aditivos em uma fábrica própria, em Bragança Paulista (SP). A matéria-prima então é levada para outra planta fabril, em Santo André (SP) para se transformar em tijolos de plástico. De acordo com os cofundadores, a construção com as peças é 40% mais barata do que com alvenaria tradicional e pode ser até 90% mais rápida. “Não adianta ter uma solução incrível que não possam pagar. Sempre pensamos na democratização da tecnologia”, afirma Lopes.
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