Última atualização: 26/03/2026 às 15:30
![]()
Alguns dizem que proporciona uma sensação mais suave e menos agitada do que o café
Por Alice Callahan, Em The New York Times | O Globo
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2026/3/n/xFHtB0SxG56mYAlGqALg/well-matcha-march18-0.jpg)
Perguntamos a especialistas se alguma pesquisa comprova os benefícios do matcha — Foto: Eric Helgas/The New York Times
P: Ouvi dizer que o efeito estimulante da cafeína do matchá é “melhor” do que o do café, com menos tremores e ansiedade. A ciência comprova isso?
A: O matchá, antes uma bebida de nicho, cerimonial e consumida principalmente no Japão, agora é onipresente em cafeterias ao redor do mundo. E nos Estados Unidos, as vendas no varejo aumentaram 77% nos últimos três anos, de acordo com a empresa de pesquisa de mercado NIQ.
Algumas pessoas nas redes sociais afirmam que a cafeína do matchá tem algo de especial — inclusive que é absorvida mais gradualmente do que a do café, proporcionando um estado de “alerta calmo” sem tremores ou queda brusca de energia.
Perguntamos a especialistas se alguma pesquisa comprova esses benefícios.
O que é matchá?
O matchá é um tipo de chá verde que é seco e moído até virar pó. Ao contrário de outros chás verdes, que geralmente são cultivados sob luz solar direta, as plantas de matchá são sombreadas, normalmente com palha, tecido ou tela plástica, por várias semanas antes da colheita. Isso retarda a fotossíntese, resultando em concentrações mais altas de certos compostos — incluindo a clorofila, que dá ao chá sua cor verde brilhante.
— O matchá é preparado batendo o chá em água quente, em vez de deixá-lo em infusão. A bebida resultante é como um chá verde “turbinado”, com concentrações mais altas de cafeína, aminoácidos, antioxidantes e compostos anti-inflamatórios — explica a professora associada de Nutrição da Northwestern Medicine, Marilyn Cornelis.
A cafeína do matcha faz você se sentir diferente?
— Os níveis de cafeína no café e no chá podem variar bastante, mas o matchá normalmente contém mais cafeína do que o chá verde comum e menos cafeína do que o café — afirma o neurocientista do Exército dos EUA que estuda a cafeína, Allison Brager.
Isso pode explicar, pelo menos em parte, as diferenças em como essas bebidas fazem você se sentir.
Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA, 240ml de chá verde contém cerca de 30 miligramas de cafeína; a mesma quantidade de café coado tem cerca de 100 miligramas, embora xícaras mais fortes possam conter mais. O departamento não fornece valores nutricionais padrão para o matchá, mas, de acordo com uma revisão científica de 2020, o pó de matcha pode conter entre 19 e 44 miligramas de cafeína por grama. Se você preparar uma bebida de matchá com uma colher de chá de pó, isso equivale a entre 38 e 88 miligramas de cafeína por porção.
Cornelis pontua que o matchá pode fornecer a dose “ideal” de cafeína para algumas pessoas — o suficiente para aumentar a energia, mas sem causar ansiedade, nervosismo ou problemas de sono.
No entanto, Brager e outros especialistas afirmaram não ter conhecimento de nenhuma evidência que apoie a ideia de que a cafeína do matchá seja absorvida mais gradualmente, resultando em um efeito mais prolongado sem a queda repentina de energia.
E quanto aos outros compostos presentes no matcha?
Algumas campanhas de marketing de produtos à base de matchá sugerem que certos compostos presentes no chá podem reduzir o estresse e melhorar a concentração.
A L-teanina, por exemplo, é um aminoácido presente no matchá que demonstrou reduzir o estresse e, quando combinada com cafeína, está associada a uma maior concentração. O galato de epigalocatequina, um tipo de antioxidante presente no matchá chamado catequina, também demonstrou acalmar e reduzir o estresse.
Mas esses estudos foram pequenos e limitados, e analisaram principalmente os próprios compostos — em suplementos ou outras bebidas, mas não no matchá. Os compostos também foram estudados em doses mais altas do que as encontradas em bebidas típicas de matchá.
Quando os pesquisadores analisaram os efeitos do matchá na saúde de forma mais direta, os resultados foram mistos e pouco animadores. Embora esses estudos também fossem pequenos e limitados.
Em um estudo com 39 estudantes universitários publicado em 2018, pesquisadores deram à metade do grupo pouco mais de duas xícaras de matchá e à outra metade uma bebida feita com um placebo em pó. Eles descobriram que o grupo que consumiu matchá se sentiu ligeiramente menos ansioso — mas não menos estressado — do que o grupo placebo. Em outro estudo, publicado em 2017, pesquisadores deram a 19 jovens adultos duas porções de matchá em um dia e uma bebida placebo em outro. Os pesquisadores não encontraram nenhuma diferença no humor dos participantes, independentemente da bebida que receberam.
Qual é a conclusão?
— Se você quer saber como o matchá afeta o seu organismo, experimente — recomenda Cornelis.
— É importante ter em mente que muitas bebidas populares à base de matcha, incluindo lattes de matchá ou chás de bolhas, podem conter uma grande quantidade de açúcares adicionados — alerta a nutricionista cardiovascular do Hospital Piedmont Atlanta, Lena Beal.
Um iced matcha latte grande do Dunkin’, por exemplo, contém 25 gramas de açúcar adicionado — o limite diário recomendado para mulheres, de acordo com a Associação Americana do Coração. O limite para homens é de 36 gramas por dia.
Segundo Beal, essa quantidade de açúcar “pode causar um pico rápido de açúcar no sangue, seguido por uma queda de energia”, anulando os potenciais benefícios do matchá.
Ao pedir uma bebida de matchá, peça ao barista para omitir ou minimizar os xaropes e adoçantes. Ou prepare sua própria bebida em casa usando matchá em pó sem açúcar.
— As bebidas de matchá mais saudáveis são as mais simples — pontua Beal.
Deixe um comentário