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Raízes familiares e preservação da floresta impulsionam produção sustentável de café na Reserva Chico Mendes

Por Felipe Souza | Governo do Estado do Acre

No coração da Reserva Extrativista Chico Mendes, em meio à Amazônia acreana, uma família encontrou uma forma de se reinventar. Um fruto pequeno, mas rico em aromas e sabores, foi responsável pela maior virada de chave na vida do casal Keyti Kety Souza e Jorge Souza. O que no início parecia um investimento arriscado, hoje se consolida como uma história de sucesso que não apenas transformou a realidade da família, mas também a de todos ao redor: o café.

Na floresta amazônica, família descobriu como plantar café dentro dos pilares da sustentabilidade. Foto: Alice Leão/Secom

A ideia de iniciar a produção surgiu durante a pandemia da covid-19, que impactou o mundo inteiro. Na tentativa de se proteger do vírus, o casal decidiu retornar às origens familiares de Jorge, criado na Reserva Chico Mendes. Foi nesse contexto que o então chefe de cozinha, ao lado da esposa e dos filhos, deu início a um trabalho que até então nunca havia imaginado seguir.

“Aos 12 anos de idade, o Jorge foi para a cidade para estudar e, só depois de muitos anos, com o medo de ser mais uma vítima do vírus, tentamos nos refugiar em algum lugar e retornamos para junto da família do meu esposo, na floresta. Foi quando, no segundo semestre de 2020, ele sugeriu que plantássemos café. E foi uma surpresa para todos”, conta Keyti.

Keyti Kety Souza e Jorge Souza são proprietários da marca de café Raízes da Floresta. Foto: Alice Leão/Secom

Nos últimos anos, a cafeicultura tornou-se um dos pilares da economia acreana e, assim como na trajetória de Jorge e Keyti, a cadeia produtiva do café tem transformado a realidade de centenas de famílias. No estado, predomina o cultivo do robusta amazônico, uma variedade marcada pelo sabor intenso e características únicas da Região Norte.

Para o governador Gladson Camelí, acompanhar os resultados dos investimentos realizados por meio da Secretaria de Agricultura (Seagri) e, consequentemente, contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos produtores, representa um sentimento de dever cumprido.

“O café tem se consolidado como uma das grandes forças econômicas do Acre. A produção cresce de forma exponencial, mostrando a vitalidade do nosso campo e a capacidade dos nossos produtores rurais. O governo do Estado tem sido parceiro nessa caminhada, oferecendo incentivos concretos, como o edital que garante a compra de mudas de viveiristas acreanos, fortalecendo a cadeia produtiva desde a base”, destaca.

Gladson celebra o momento histórico que o estado vive na produção de café. Foto: Ingrid Kelly/Secom

Além disso, o governo tem assegurado o fornecimento de insumos não apenas para o café, mas também para outras culturas estratégicas, fortalecendo um ambiente de desenvolvimento que gera renda, amplia oportunidades de emprego e contribui diretamente para o crescimento da economia local. 

“Essa política integrada está mudando a realidade das famílias acreanas, reafirmando que o futuro do Acre passa pela força do campo e pelo trabalho de quem acredita na nossa terra”, completa Camelí.

Utilização de área desmatada

A marca da família, batizada de Raízes da Floresta, nasce da proposta de resgatar a trajetória construída por Jorge dentro da reserva extrativista, valorizando suas origens, sua relação com a terra e a história de vida que se entrelaça com a floresta. O nome carrega esse simbolismo de pertencimento e de respeito às raízes familiares e culturais que sustentam a produção.

Inseridos em um território protegido, todo o processo produtivo segue rigorosamente os pilares da sustentabilidade. Desde o cultivo até a colheita, há o compromisso com práticas que preservam o meio ambiente, garantem o uso responsável dos recursos naturais e mantêm o equilíbrio com a floresta, reforçando que é possível produzir com qualidade sem abrir mão da conservação.

Jorge e Keyti são pais de três: Anabella, Jorge Henrique e Ana Gabrielly. Foto: Alice Leão/Secom

“Aproveitamos a área já desmatada para implantar café. Tanto que aqui toda a mata alta, que já é a floresta, é o limite da plantação, porque não derrubamos nenhuma árvores para mais plantio”, defende Jorge.

O agricultor detalha ainda as formas de produção e destaca que, atualmente, o café é comercializado em diferentes regiões do país, com ponto de revenda em São Paulo e venda em Rio Branco. “Trabalhamos com três modalidades: o café especial, que é aquele aquele bem trabalhado e fermentado. Além disso, também temos o especial não fermentado que é o natural. Por fim, temos o café tradicional, que é aquele que não precisa fermentar ou selecionar.”

Incentivo do Estado

A trajetória da Seagri nos últimos anos consolidou um período de transformação estrutural para o campo acreano. Sob a diretriz estratégica do governo estadual, a agricultura deixou de ser vista apenas como uma atividade de subsistência para se tornar a principal ferramenta econômica de desenvolvimento rural, impulsionando o Produto Interno Bruto (PIB) estadual e gerando novas perspectivas para as famílias do interior.

Café Raízes da Floresta já foi vendido aos Estados Unidos e à China. Foto: Alice Leão/Secom

Desde o início, o governo se fez presente na vida de Jorge e Keyti. A Seagri levou mudas de café de Acrelândia até a Reserva Chico Mendes, dando os primeiros passos para a implantação da cultura na localidade. A partir disso, os produtores passaram a contar com visitas técnicas frequentes e capacitações voltadas ao manejo adequado da produção, ampliando o conhecimento e garantindo mais segurança no cultivo.

Além da assistência técnica, também foram disponibilizados insumos essenciais, como adubo, e realizada a construção de um tanque para armazenamento de água, fundamental para enfrentar o período do verão amazônico. O apoio inclui ainda a entrega de uma máquina secadora tecnológica, que deve acelerar o processo produtivo e assegurar ainda mais qualidade aos grãos.

“Agora, será necessário apenas dois dias para a secagem total dos grãos”, disse Souza. Foto: Alice Leão/Secom

“O governo tem sido extremamente importante, pois, com esse suporte, hoje temos, acima de tudo, água em nossa lavoura. Assim, conseguimos ampliar ainda mais a produção, porque, até então, ela era bem pequena. Além disso, estudos mostram que, quando a lavoura é irrigada, a produção aumenta significativamente”, observa Keyti.

Aliado a importantes parcerias, o café Raízes da Floresta já ganhou visibilidade além das fronteiras do Acre, marcando presença em eventos de grande relevância, como a Semana Internacional do Café (SIC), em Belo Horizonte. A participação nesses espaços tem sido fundamental para ampliar o reconhecimento da marca e fortalecer sua inserção no mercado nacional.

O momento mais marcante da trajetória do casal veio quando Keyti conseguiu levar o produto a diversas cidades e províncias da Itália, durante uma missão articulada pela Seagri e pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). A experiência representou não apenas a expansão internacional da marca, mas também a consolidação de um trabalho construído com dedicação.

A secretária de Agricultura, Temyllis Silva, reforça que, ao contrário do que muitos ainda imaginam, é possível produzir com sustentabilidade. Segundo ela, manter a produção em harmonia com a floresta exige um cuidado e uma dedicação adicionais, mas o governo do Estado tem trabalhado com todos os mecanismos necessários para tornar esse modelo viável.

Temyllis Silva destaca a importância da cadeia do café para a economia do Acre. Foto: Alice Leão/Secom

“Fechamos uma parceria com o ICMBio para que nos autorizassem a construir tanques para armazenamento de água, que é um dos principais insumos que proporcionamos. Com todos os produtores, mantemos essa colaboração, sempre respeitando a legislação ambiental, mas buscando soluções para que o produtor possa usufruir da terra que possui. Foi aí que se evidenciou a importância da liderança do governador Gladson nesses últimos anos no fortalecimento da estrutura local”, pontua Temyllis.

Reconhecimento

O reconhecimento é um marco importante para quem dedica tempo e paixão ao campo, e, no caso deles, tem sido a prova de que o trabalho desenvolvido dentro da floresta tem alcançado resultados de destaque. A produção ganhou visibilidade ao chegar à final do Concurso Florada Premiada, considerado um dos maiores concursos mundiais de cafés especiais produzidos por mulheres, promovido pela 3 Corações.

Na ocasião, conquistaram o 11º lugar entre os melhores cafés do Brasil e ainda receberam uma homenagem especial da cantora Simone Mendes, embaixadora do evento, durante a Semana Internacional do Café. Já na segunda edição do QualiCafé, uma premiação acreana, o produto do Raízes da Floresta alcançou o 5º lugar, com uma pontuação expressiva de 86 pontos, consolidando-se entre os melhores do estado.

Keyti Kety reforça que o apoio do governo foi crucial para a produção. Foto: Alice Leão/Secom

Segundo Temyllis Silva, os resultados positivos da cafeicultura local têm sido impulsionados pelo apoio do Estado por meio de capacitações contínuas. A gestora destaca que, com acompanhamento técnico adequado, o produtor consegue ampliar a produção e, sobretudo, garantir mais qualidade.

“O Acre possui um território pequeno. Cada vez mais, precisamos produzir mais em menos espaço, respeitando as questões ambientais. Então, quando trazemos técnicos de referência, inclusive de fora, ou quando levamos os técnicos daqui para se capacitarem, para que possam trazer essas experiências aos produtores, estamos garantindo que esse produto tenha mais qualidade e maior quantidade na produção”, salienta a titular da Seagri.

Do campo à mesa escolar

Em janeiro deste ano, os produtores foram os primeiros a serem habilitados no Edital da Chamada Pública nº 001/2025, para fornecer café ao Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), que atende estudantes da rede estadual de ensino. Pela primeira vez, o café produzido no Acre vai passar a integrar o cardápio das escolas públicas.

O Pnae, coordenado pela Secretaria de Estado de Educação e Cultura (SEE), visa promover mais dignidade à comunidade escolar e fortalecer a economia local ao priorizar a seleção de produtores do próprio estado.

Café é uma fruta de sabor intenso e cheiro único, que se transforma na bebida mais consumida do mundo. Foto: Alice Leão/Secom

Keyti Kety relata que teve acesso ao edital por meio das redes sociais e que, após analisar os critérios exigidos, iniciou a organização da documentação necessária para participar do processo seletivo: “Na abertura dos envelopes, foi identificado que nós fomos selecionados, os primeiros e únicos, já que é uma novidade no Pnae eles inserirem o café neste chamamento.”

Dessa forma, a bebida produzida no Acre passa a integrar a mesa escolar dos próprios acreanos. Mais do que incentivar a produção desde a base, o governo garante retorno imediato às famílias ao assegurar a comercialização dentro do próprio estado, fortalecendo a cadeia produtiva local e contribuindo para uma alimentação escolar de qualidade.

Leonardo Assad

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