Análise global mostra que o maior exportador mundial enfrenta temperaturas extremas inéditas, queda de safra e ajuste de mercado
Por Ernesto Neves
Fazenda de café em Caconde, no interior de São Paulo: seca devastou lavouras (Getty/Getty Images)
De acordo com os dados da Climate Central, instituição que pesquisa e divulga informações sobre a crise climática, as principais regiões produtoras de café do Brasil estão enfrentando um aumento recorde de dias com temperaturas acima de 30 °C.
As novas condições prejudicam diretamente a produção do grão, especialmente da variedade arábica, a mais valorizada no mercado internacional.
O Brasil, maior exportador mundial de café, registrou 70 dias extras de calor intenso por ano, elevando o risco de redução de safra e aumento de preços globais.
A análise da Climate Central revelou que os cinco países que respondem por 75% da produção mundial de café enfrentam, em média, 57 dias adicionais por ano com calor prejudicial ao cultivo, comparado a um cenário sem impactos das mudanças climáticas.
Minas Gerais, principal polo produtor brasileiro, contabilizou cerca de 67 dias extras com temperaturas acima do limite seguro para o cultivo da arábica.
Impactos na planta e na produção
O aumento da temperatura média e dos dias extremos afeta diretamente a fisiologia da planta, reduzindo a fotossíntese, prejudicando o enchimento dos grãos e diminuindo a produtividade.
Cultivares sensíveis, como o arábica, sofrem mesmo com pequenas elevações de temperatura, cenário que já se tornou realidade em muitas regiões do Sudeste e do Cerrado mineiro.
Segundo agrônomos brasileiros, o estresse térmico já está reduzindo a produtividade das lavouras e aumentando a vulnerabilidade das plantas a doenças.
Além disso, as mudanças climáticas também afetam a saúde dos trabalhadores rurais, que precisam lidar com temperaturas extremas e longas jornadas sob o sol.
Consequências econômicas e de mercado
O clima adverso tem impacto direto no mercado global. A redução da oferta eleva os preços da commodity, que já atingiram patamares históricos nos últimos anos.
Pequenos produtores, responsáveis por grande parte da produção brasileira, enfrentam custos crescentes com irrigação e adaptação das técnicas de cultivo.
O fenômeno é agravado pela perda de áreas de sombra e desmatamento em regiões cafeeiras, que reduzem a proteção natural das plantas e intensificam a escassez hídrica.
Entre 2002 e 2023, cerca de 737 mil hectares de florestas foram desmatados em áreas ligadas à produção de café, aumentando a vulnerabilidade climática da lavoura.
Caminhos para adaptação
Especialistas defendem que a adaptação à crise climática passa por investimentos em agroflorestas, variedades de café resistentes ao calor e políticas públicas robustas de financiamento climático.
No entanto, boa parte desses recursos ainda não chega aos pequenos agricultores, que respondem por até 80% da produção nacional.
Fonte: Veja
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