Última atualização: 23/02/2026 às 14:33
![]()

Cafés especiais crescem 15% ao ano e já chegam a 10% de market share
O mercado de cafés especiais no Brasil mantém ritmo de expansão consistente, com crescimento médio de 15% ao ano, segundo estimativas do setor. O nicho já representa entre 5% e 10% do mercado nacional e avança impulsionado por consumidores que buscam qualidade, rastreabilidade e experiências sensoriais diferenciadas.
No cenário global, a expectativa é que o segmento alcance US$ 152,7 bilhões até 2030, com taxa média anual superior a 12%. O movimento acompanha a valorização de produtos com origem definida e maior controle de qualidade.
Avaliação técnica e critérios da SCA
Grande parte da produção brasileira de cafés especiais está concentrada no Sul de Minas e na Alta Mogiana paulista. A classificação segue critérios da Specialty Coffee Association (SCA), que utiliza escala de 0 a 100 pontos para avaliar atributos como aroma, sabor, acidez, corpo e equilíbrio.
Para ser considerado especial, o café precisa atingir ao menos 80 pontos. Entre 80 e 84,99 pontos, a bebida é classificada como muito boa; entre 85 e 89,99, excelente; e acima de 90 pontos, excepcional — categoria mais rara e valorizada.
Dentro desse universo, quatro perfis sensoriais são amplamente reconhecidos: intensos, doces, frutados e florais. Intensos costumam apresentar notas de chocolate, caramelo e castanhas; doces remetem a melado e frutas cristalizadas; frutados trazem acidez mais evidente, com aromas cítricos e de frutas vermelhas; e florais evocam jasmim e lavanda.
Estratégia de marcas e perfis autorais
Empresas do setor têm investido em perfis autorais para dialogar com diferentes preferências de consumo. A Go Coffee aposta em três perfis nas lojas: um mais encorpado, com notas de baunilha e caramelo; outro com nuances de cacau e acidez média a baixa; e um terceiro com acidez elevada e finalização doce prolongada, com referências a acerola e pêssego.
A marca também oferece linha para preparo doméstico, com grãos moídos como Ouro Belga — com notas de chocolate belga, rapadura e melaço — e Aurora Tropical, com avelã, toranja e xarope de bordo.
Segundo Elói Ferreira, sócio-fundador da empresa, o desafio é traduzir as diferenças sensoriais de forma acessível para o consumidor identificar seu perfil de preferência.
Impacto dos cafés especiais na cadeia produtiva
O avanço dos cafés especiais também altera a dinâmica no campo. Estima-se que cerca de 80% da produção nacional desse segmento seja conduzida por micro e pequenos agricultores. O nicho permite acesso a mercados premium e maior agregação de valor.
Com maior exigência por qualidade e controle de processo, produtores investem em manejo, colheita seletiva e pós-colheita diferenciada. O crescimento do mercado de cafés especiais reforça a profissionalização da cadeia e amplia oportunidades para produtores que conseguem atender aos padrões exigidos.
Fonte: CNBC
Deixe um comentário