Como o CAFÉ transformou Campinas em uma potência científica?

Da expansão da cafeicultura ao surgimento do Instituto Agronômico, a história que fez da cidade um polo de inovação no agro brasileiro

Por Luana da Fonte | Rede Globo

Foto: Pixabay

O avanço do café pelo interior do estado de São Paulo foi importante para a formação econômica e agrícola de Campinas. No início do século XIX, a cultura começou a se expandir para a região, acompanhando o movimento de interiorização da produção e a busca por novas áreas produtivas. Segundo o pesquisador do Instituto Agronômico (IAC), Sérgio Parreiras Pereira, “esse movimento ocorreu à medida que novas áreas agrícolas eram incorporadas à produção, buscando solos mais férteis e maior estabilidade produtiva”.

De acordo com o pesquisador, Campinas reunia características naturais favoráveis ao cultivo do café, como clima adequado, solos férteis e relevo que facilitava o manejo das lavouras. Além disso, ele explica que a posição estratégica da cidade e o avanço das ferrovias contribuíram para integrar a produção aos circuitos comerciais e de exportação, favorecendo a rápida expansão da cafeicultura na região.

A partir da segunda metade do século XIX, o café passou a ocupar papel central na economia de Campinas. “A renda gerada pela cafeicultura viabilizou investimentos em infraestrutura, como ferrovias, armazéns e sistemas de transporte, além de impulsionar a urbanização e a oferta de serviços públicos”, afirma o pesquisador do IAC. Ele destaca que a cafeicultura também transformou a estrutura social da região, ao incentivar a imigração europeia e contribuir para a transição do trabalho escravo para o trabalho assalariado.

Foi nesse contexto que surgiu a necessidade de incorporar a ciência ao desenvolvimento agrícola e, assim, foi criado o Instituto Agronômico, em 1887, por D. Pedro II, com o objetivo de inserir a ciência como base do desenvolvimento agrícola brasileiro, afirma o pesquisador. O café teve papel central na criação do Instituto, “por ser o principal produto de exportação do Brasil naquele período, a cafeicultura exigia soluções técnicas capazes de sustentar sua produtividade e competitividade ao longo do tempo”, diz Pereira.

Ao longo do tempo, a pesquisa científica do Instituto mudou a forma de produzir café no Brasil. Segundo o pesquisador, os avanços impactaram a escolha do material genético e o manejo das lavouras, contribuindo para sistemas de plantio mais eficientes com maior estabilidade produtiva. “Essa abordagem permitiu à cafeicultura brasileira evoluir de um modelo baseado apenas em volume para sistemas mais tecnificados, resilientes e alinhados às exigências dos mercados consumidores”, afirma.

O legado dessa trajetória permanece presente em Campinas e na cafeicultura nacional. Hoje, a cidade é reconhecida como um importante polo de produção de conhecimento científico voltado à agricultura e o IAC se firmou como referência no desenvolvimento do café no Brasil. “Até hoje, a maior parte do parque cafeeiro de café arábica do Brasil tem origem direta nos materiais genéticos desenvolvidos pelo Instituto Agronômico”, conclui Pereira.

Supervisionado por Marina Fávaro.

Leonardo Assad

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