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Oriente Médio compra US$ 56 milhões do agro capixaba em quatro meses e o café lidera com alta de 59%

Oriente Médio compra US$ 56 milhões do agro capixaba em quatro meses e o café lidera com alta de 59%

Por Stefany Sampaio | Folha Vitória

As exportações do agronegócio capixaba para o Oriente Médio somaram US$ 56,87 milhões nos quatro primeiros meses de 2026, crescimento de 12,3% em relação ao mesmo período de 2025, segundo dados da Seag. O café foi o principal responsável por esse avanço: 6,88 milhões de quilos embarcados para a região, alta de 50,1% em volume e 59,3% em valor.

Enquanto o preço do conilon recuava no mercado doméstico e a concorrência com o Vietnã aumentava, uma região com 400 milhões de consumidores comprava silenciosamente cada vez mais café capixaba.

O Oriente Médio tem uma relação histórica com o café que precede a cultura europeia do espresso. O Yemen é considerado o berço da cafeicultura comercial, foi de lá que o café se espalhou pelo mundo árabe e depois para a Europa, nos séculos XV e XVI. O café árabe, preparado com cardamomo e servido em ocasiões sociais e rituais de hospitalidade, é parte da identidade cultural da região.

Mas o perfil de consumo está mudando. A urbanização acelerada, a expansão de redes internacionais de cafeteria como Starbucks, Costa Coffee, Tim Hortons e uma geração jovem com renda crescente e hábitos modernos estão transformando o Oriente Médio num dos mercados de café que mais cresce no mundo.

Os números confirmam essa transformação. O mercado de café do Oriente Médio e África é atualmente a região de crescimento mais acelerado do setor no mundo, com projeção de expansão de 8,16% ao ano até 2031, a maior taxa entre todas as regiões globais, superando Europa, América do Norte e Ásia-Pacífico, segundo análise da Mordor Intelligence.

O consumo per capita ainda está longe dos patamares europeus ou brasileiros, mas é exatamente essa diferença que representa oportunidade: o mercado tem espaço para crescer por décadas.

Para o café capixaba, essa dinâmica tem implicação direta. O conilon, pela sua natureza de café robusto com corpo encorpado e sabor intenso, se encaixa bem nos blends consumidos na região, seja no café árabe tradicional, nos espressos das redes de cafeterias ou nos solúveis e instantâneos de grande circulação.

Países próximos do Oriente Médio, como a Turquia, já figurava entre os principais compradores do café capixaba, e aparece nos dados de abril de 2026 como o segundo maior destino das exportações do agro capixaba, com US$ 67,9 milhões e participação de 7,5% no total. É um sinal de que o eixo comercial capixaba já tem raízes na região e que pode aprofundá-las.

O contexto geopolítico atual adiciona um elemento que o produtor capixaba precisa acompanhar. As tensões no Oriente Médio afetam rotas marítimas, elevam fretes e criam instabilidade logística. Mas o mesmo cenário que pressiona os custos de exportação também pode favorecer o café brasileiro no longo prazo: países do Golfo que buscam diversificar fornecedores e reduzir dependência de origens geograficamente instáveis tendem a olhar para o Brasil e para o ES em particular como fornecedor confiável, com escala, qualidade e capacidade de entrega.

Para o produtor capixaba, o Oriente Médio ainda não é o destino que define o preço da safra. Mas é um mercado em crescimento consistente, com demanda firme, consumidores que valorizam café de qualidade e um histórico de relação comercial que o ES vem construindo ano a ano.

Num momento em que os destinos tradicionais, Europa e EUA, enfrentam barreiras tarifárias, regulatórias e de concorrência, diversificar para mercados que estão no começo do seu ciclo de expansão é o tipo de estratégia que separa a cadeia cafeeira que cresce da que apenas reage.

Leonardo Assad

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