Dia Nacional do Café: ciclo cafeeiro ajudou a impulsionar o desenvolvimento de Botucatu
Neste domingo, 24 de maio, é celebrado o Dia Nacional do Café, data criada em 2005 pela ABIC (Associação Brasileira da Indústria do Café) para marcar o início da colheita nas principais regiões produtoras do país. Em Botucatu, a data também resgata parte importante da história econômica e do desenvolvimento do município.
A ocupação da região de Botucatu começou ainda no século XIX, inicialmente com grandes propriedades agrícolas. Na época, o território era ligado à então Vila de Itapetininga e começou a ganhar força econômica justamente com a expansão da cafeicultura pelo interior paulista.
Foi o ciclo do café que ajudou a transformar Botucatu em um dos polos econômicos do chamado Oeste Paulista. O crescimento da produção agrícola contribuiu diretamente para a emancipação político-administrativa do município, elevada à categoria de Vila independente em 1855.
Em 1874, Botucatu — que ainda abrangia áreas que hoje pertencem a Pardinho e Pratânia — já se consolidava como um grande centro cafeeiro, atingindo a produção de cerca de 35 mil arrobas destinadas à exportação.
Museu do café: lamentávelmente fechado desde 2019 na Fazenda Lageado, espaço abrigava importante acervo do ciclo cafeeiro
O auge da cafeicultura local ocorreu entre o fim do século XIX e início do século XX, período em que o município acompanhou a expansão do café em São Paulo, impulsionada pela chegada das ferrovias e pela utilização de mão de obra imigrante após o fim da escravidão. O chamado “ciclo do café” foi responsável por acelerar a urbanização, o desenvolvimento econômico e a integração ferroviária em diversas cidades paulistas, incluindo Botucatu.
Um dos principais símbolos desse período é a histórica Fazenda Lageado, que começou a ser estruturada para a produção cafeeira em larga escala ainda na década de 1870. Em 1881, a propriedade passou a produzir café para exportação em grande escala e chegou a ter mais de 600 mil pés plantados.
Na década de 1920, Botucatu já possuía mais de 12 milhões de pés de café, sendo cerca de 600 mil apenas na Fazenda Lageado. O complexo chegou a ter estação ferroviária própria da antiga Estrada de Ferro Sorocabana para escoamento da produção.
Atualmente, a antiga fazenda abriga a Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp e também o tradicional Museu do Café da Fazenda Lageado, patrimônio histórico tombado pelo Condephaat e considerado um dos principais símbolos da memória cafeeira da região.
Mesmo distante do auge econômico vivido no passado, o café ainda mantém presença na produção rural do município. Atualmente, Botucatu possui cerca de 30 produtores cafeeiros, com mais de 320 hectares cultivados. A variedade mais comum na região é o Catuaí, cultivar desenvolvida no Brasil e cujo nome, de origem tupi-guarani, significa “muito bom”.
Fonte: Acontece Botucatu
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