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Café sem sabor? Especialistas revelam os erros mais comuns no preparo da bebida em casa

Café sem sabor? Especialistas revelam os erros mais comuns no preparo da bebida em casa

No Dia Nacional do Café, fundadoras do Café Por Elas explicam como detalhes no preparo influenciam aroma, equilíbrio e qualidade

Julia e Nadia Nasr, fundadoras do Café Por Elas

Foto: Café Por Elas/divulgação

Por Lorena K. Martins | O Tempo

No Dia Nacional do Café, celebrado em 24 de maio, especialistas chamam atenção para um detalhe que pode transformar completamente a experiência da bebida: muitas vezes, o problema de um café amargo, aguado ou sem aroma não está no grão, mas em erros simples cometidos durante o preparo. A data, que marca simbolicamente o início da colheita do café no Brasil, reforça também a importância cultural e afetiva da bebida no cotidiano dos brasileiros.

Muito além do tradicional cafezinho, o café passou a ocupar um espaço cada vez mais amplo no universo gastronômico, impulsionado pelo crescimento do consumo de cafés especiais e pelo interesse do público em métodos de extração, perfis sensoriais e diferentes origens. Nesse contexto, preparar um bom café em casa deixou de ser apenas uma rotina e passou a ser um ritual para muitos consumidores.

Fundadoras do Café Por Elas, Julia e Nadia Nasr reuniram os principais erros cometidos no preparo doméstico e compartilharam orientações práticas para melhorar o sabor, o aroma e a qualidade da bebida.

Segundo as especialistas, um dos equívocos mais comuns começa ainda na escolha do produto. Informações como data da torra, origem e tipo do grão costumam passar despercebidas no momento da compra, embora influenciem diretamente no resultado final da xícara.

Escolher qualquer grão

“Quanto mais fresco o café, maior a presença de notas aromáticas e sabores mais vivos na bebida”, explica Nadia Nasr. A recomendação é optar por cafés especiais, de boa procedência e com torras recentes, preferencialmente adquiridos em pequenas quantidades para preservar o frescor.

Errar na proporção

Outro erro frequente está na proporção entre café e água. O excesso pode resultar em amargor e desequilíbrio, enquanto pouca quantidade de pó tende a produzir uma bebida fraca e sem corpo. Para um preparo mais equilibrado, Julia e Nadia sugerem a proporção de 1:15 – cerca de 10 gramas de café para 150 ml de água.

“Quando você acerta a proporção, consegue perceber melhor as características naturais do café, como doçura, acidez e corpo. E claro que você pode ir fazendo testes e encontrar a sua receita favorita”, afirma Julia.

Subestimar a importância da água utilizada

A qualidade da água também merece atenção. Como representa a maior parte da bebida, qualquer impureza ou sabor residual interfere diretamente na extração. A indicação é utilizar água filtrada ou mineral e aquecê-la adequadamente antes do preparo.

Não escaldar o filtro antes

Pequenos detalhes técnicos, muitas vezes ignorados, também fazem diferença no resultado. Escaldar o filtro de papel, por exemplo, ajuda a eliminar resíduos do próprio filtro e ainda aquece o recipiente, favorecendo uma extração mais uniforme. O processo consiste apenas em passar água quente pelo filtro antes de adicionar o café moído.

Despejar a água de qualquer jeito 

A forma de despejar a água sobre o pó é outro ponto decisivo. Segundo Nadia, jogar toda a água de uma vez ou concentrar o fluxo em apenas um ponto pode comprometer a extração, deixando algumas partes superextraídas – e, consequentemente, mais amargas – enquanto outras permanecem subextraídas, resultando em falta de sabor.

A orientação é realizar movimentos circulares, do centro para as bordas, garantindo que todo o café seja umedecido de maneira uniforme. “Esse cuidado ajuda a revelar o melhor do grão e traz mais equilíbrio para a bebida”, afirma Nadia.

Para as fundadoras do Café Por Elas, preparar um bom café em casa não exige equipamentos sofisticados, mas atenção aos detalhes e compreensão do processo. “O café faz parte da rotina e dos momentos de pausa de muitas pessoas. Quando entendemos melhor o preparo e nos atentamos a pequenos cuidados, conseguimos transformar uma bebida comum em uma experiência muito mais prazerosa”, conclui Nadia Nasr.

Leonardo Assad

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