Café moldou a economia brasileira desde o período imperial; veja a história
O café se transformou em um dos principais motores econômicos nacionais
São Paulo – Desde a chegada das primeiras mudas de café ao Brasil, em 1727, vindas da Guiana Francesa para Belém, o grão se transformou em um dos principais motores econômicos nacionais.
A expansão da produção no Sudeste consolidou o chamado ciclo do café ao longo do século XIX. Nesse período, fazendeiros conhecidos como “barões do café” ganharam influência política e econômica, principalmente nas regiões de São Paulo e Rio de Janeiro.
O Vale do Paraíba chegou a concentrar cerca de 80% da produção nacional antes do esgotamento do solo provocar a migração das lavouras para outras regiões do País. Em 1880, o Brasil assumiu a liderança mundial da produção cafeeira, posição mantida até hoje.
A história do café brasileiro também foi marcada por crises que transformaram o setor. Após a quebra da Bolsa de Nova York em 1929, o preço internacional do café despencou. O governo de Getúlio Vargas determinou a queima de milhões de sacas para conter a queda das cotações.
Décadas depois, em 1975, a chamada “geada negra” destruiu lavouras no Paraná, então principal produtor nacional. A tragédia provocou mudanças definitivas na geografia da cafeicultura brasileira e impulsionou Estados como Minas Gerais, Espírito Santo e Bahia.
Hoje, Minas Gerais lidera a produção nacional em valor bruto, seguido por Espírito Santo, Bahia e São Paulo.
A cadeia produtiva do café continua entre as mais relevantes do agronegócio brasileiro. Segundo estimativas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a receita bruta do café deve alcançar R$ 111,7 bilhões em 2026.
Dados do Conselho Nacional do Café (CNC) apontam que o setor reúne cerca de 330 mil cafeicultores em 16 Estados brasileiros, sendo mais de 250 mil pequenos produtores.
A indústria de café torrado faturou R$ 46,24 bilhões em 2025, enquanto toda a cadeia produtiva gera aproximadamente 8,4 milhões de empregos diretos e indiretos no País.
Além da produção em larga escala, o Brasil também ampliou investimentos em cafés especiais, rastreabilidade e práticas sustentáveis para atender os mercados internacionais.
O País segue como principal referência mundial do setor cafeeiro. Além de liderar a produção e exportação, o Brasil ocupa a segunda posição entre os maiores consumidores de café do mundo.
Segundo a Associação Brasileira da Indústria do Café (ABIC), o café está presente em 98% dos lares brasileiros. A produção nacional é dividida principalmente entre as variedades arábica e conilon.
Os dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam que no ciclo 2025/26, a produção mundial de café arábica está estimada em 97 milhões de sacas de 60 quilos, volume 1,7% menor do que o registrado na temporada 2024/25.
Já o café robusta tem previsão de alcançar 81,7 milhões de sacas de 60 quilos em 2025/26, alta de 7,9% na comparação com a safra passada.
O consumo mundial de café está projetado em 169,4 milhões de sacas de 60 quilos no ciclo 2025/26, alta de 1,7% em relação à temporada anterior, estabelecendo um novo recorde de demanda global.
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