Café conilon e abelhas: parceria ganha destaque no campo
Manejo antecipado prepara colmeias para a florada do café conilon e fortalece a produção apícola e cafeeira no campo
Por Assessoria de Imprensa | Conexão Safra
Foto: divulgação
Na cafeicultura, o ciclo de manejo é constante. Ainda no início da safra do café conilon também é hora de pensar no próximo passo: a florada. Essa etapa é uma das mais importantes do calendário agrícola, que vai definir grande parte do potencial produtivo da safra. Para os apicultores que mantêm colmeias próximas às lavouras, esse também é um período estratégico.
Com a florada do conilon ocorrendo entre julho e setembro, a preparação precisa começar com antecedência, para que as colmeias estejam em plenas condições de aproveitar o florescimento e contribuir com a polinização das lavouras. E é justamente na polinização que a apicultura surge como uma grande aliada dos cafeicultores.
Estudos sugerem que a presença de abelhas nas lavouras potencializa a polinização e gera ganhos concretos para a produção. Conforme explica o engenheiro agrônomo e gestor do Apiário da Cooabriel, José Roberto Gonçalves, os efeitos são perceptíveis. “É visível o impacto que as abelhas e outros insetos polinizadores têm sobre as lavouras, trazendo ganhos tanto para a produtividade, com redução de frutos malformados, quanto para a padronização e qualidade dos frutos”, afirma.
Para Gonçalves, conciliar os tratos culturais com a presença das abelhas dentro das propriedades é plenamente viável. “Adotando boas práticas, é perfeitamente possível integrar a apicultura à rotina da cafeicultura, com benefícios para os dois lados”, destaca.
Manejo das colmeias: o que fazer antes da florada
Considerando que a florada do café é intensa e de curta duração, a recomendação é iniciar o manejo de preparação das colmeias de 90 a 120 dias antes da janela de floração. As orientações são do apicultor e consultor Juliano Cordeiro, de São Domingos do Norte/ES.
Dentre as práticas recomendadas, o especialista considera que o primeiro passo é preparar e revisar todo o equipamento apícola. Caixas, sobreninhos, melgueiras, quadros e lâminas de cera devem ser inspecionados e, se necessário, substituídos. A troca de favos velhos é outra etapa essencial, pois favos escuros e desgastados comprometem o desenvolvimento das larvas e a higiene da colmeia. Durante as revisões, o apicultor também deve ficar atento a anormalidades nas crias e nas abelhas adultas, observando possíveis sinais de parasitas, fungos ou outros inimigos naturais que possam prejudicar a saúde dos enxames.
Foto: divulgação
Outra prática fundamental é o fornecimento de alimento para as abelhas. Em períodos de menor disponibilidade de floradas naturais, a suplementação mantém as colônias fortes e numerosas, o que se reflete tanto na polinização das lavouras, quanto na produção de mel e pólen.
O apicultor também alerta para a multiplicação de enxames e controle da enxameação. A florada intensa estimula o crescimento acelerado das colônias, aumentando o risco de enxameação, quando parte das abelhas abandona a caixa com a rainha. Uma estratégia eficaz para contornar esse risco e ampliar o número de colmeias é a multiplicação controlada de enxames. O manejo adequado cria um ambiente favorável para o nascimento natural de novas rainhas, permitindo a divisão das colônias de forma planejada. Monitorar a presença de realeiras e ampliar o espaço interno com melgueiras também ajuda a reter as colônias e manter a produtividade ao longo de toda a florada, reforça Cordeiro.
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