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Café abre em queda nesta 2ª feira e escancara descolamento entre bolsa e mercado brasileiro

Pressão externa se soma à entrada da safra, enquanto físico no Brasil segue com dinâmica própria

O mercado futuro do café iniciou esta segunda-feira (27), com leves quedas nas bolsas internacionais, em um movimento de ajuste após as altas recentes. O cenário reforça um ponto cada vez mais evidente: o descolamento entre os preços internacionais e o mercado físico brasileiro.

Na Bolsa de Nova York, o café arábica abriu em baixa. O contrato maio/26 é cotado a 308,00 cents/lb, com queda de 180 pontos. O julho/26 opera em 293,85 cents/lb, com recuo de 105 pontos. Já o setembro/26 é negociado a 284,05 cents/lb, também com baixa de 105 pontos. O dezembro/26 aparece em 276,05 cents/lb, com perda de 95 pontos.

Na ICE Europa, o robusta também registra leve pressão. O contrato maio/26 é cotado a US$ 3.674 por tonelada, com baixa de 9 pontos. O julho/26 opera em US$ 3.473 por tonelada, com recuo de 10 pontos. O setembro/26 é negociado a US$ 3.392 por tonelada, com queda de 11 pontos. Já o novembro/26 aparece em US$ 3.326 por tonelada, com baixa de 9 pontos.

O movimento nas bolsas reflete um ambiente mais acomodado após a volatilidade recente, com o mercado ainda assimilando o avanço da safra brasileira e uma percepção mais confortável em relação à oferta global no curto prazo.

No entanto, no Brasil, o cenário segue mais complexo. Com a chegada da safra, o mercado físico passa a operar com dinâmica própria, muitas vezes descolada das referências internacionais. Segundo análises recentes de mercado, esse comportamento ocorre porque o aumento gradual da oferta não tem sido acompanhado por um avanço proporcional nas negociações.

Na prática, isso significa que, mesmo com oscilações nas bolsas, os preços internos não reagem na mesma intensidade. O produtor segue cauteloso, avaliando níveis de preço, custos e estratégia antes de avançar na comercialização.

Esse descompasso também é influenciado pelo câmbio e pelas condições locais de oferta e demanda, que acabam tendo peso maior neste momento de transição de safra.

Além disso, o avanço da colheita tende a aumentar a disponibilidade nas próximas semanas, o que pode continuar limitando reações mais consistentes de alta no mercado interno, mesmo em cenários externos mais favoráveis.

A abertura desta segunda-feira reforça um ponto central para o produtor brasileiro: olhar apenas para a bolsa não é suficiente. O mercado doméstico segue com dinâmica própria, exigindo estratégia e atenção redobrada na hora de definir o momento de venda.

Por: Priscila Alves I Instagram: @priscilaalvestv

Fonte: Notícias Agrícolas

Leonardo Assad

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