Projeto com laboratório móvel leva diagnóstico técnico ao produtor e busca reduzir desperdícios de água e energia
A eficiência da irrigação foi destaque na programação da Fenicafé, em Araguari (MG), com foco na necessidade de melhorar o uso dos recursos hídricos nas propriedades cafeeiras. O tema foi abordado pelo presidente da Associação Brasileira de Irrigação e Drenagem (ABID), Dr. Sílvio Carlos Lima, durante a palestra sobre gestão da irrigação.
Segundo o especialista, a irrigação representa cerca de 50% do uso de água na bacia do Rio Paranaíba, o que exige maior controle e eficiência no campo. “Faltam diagnósticos individualizados para melhorar a eficiência”, destacou.
Baixa eficiência ainda é gargalo no campo
Lima chamou atenção para o fato de que muitos sistemas de irrigação operam abaixo do potencial, comprometendo tanto a produtividade quanto a gestão hídrica. “Às vezes falta só um manômetro, e o irrigante não observa e continua irrigando de forma empírica”, afirmou.
Entre os principais problemas identificados estão falhas no manejo, falta de manutenção e erros simples de operação, que poderiam ser facilmente corrigidos com acompanhamento técnico.
Laboratório móvel leva tecnologia até o produtor
Uma das soluções apresentadas foi o laboratório móvel de irrigação, iniciativa do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Paranaíba em parceria com instituições do setor.
O projeto conta com unidades equipadas que visitam propriedades para avaliar os sistemas de irrigação diretamente no campo. “A equipe avalia a motobomba, faz testes de pressão, verifica a uniformidade e orienta o produtor sobre os ajustes necessários”, explicou.
Atualmente, três unidades percorrem a região, levando diagnóstico técnico e orientações práticas aos irrigantes.
Falhas começam desde o projeto
O especialista também alertou que muitos problemas têm origem ainda na fase de implantação dos sistemas. “Às vezes o projetista faz um projeto, a revenda entrega outro produto e é instalado algo diferente do que foi planejado”, destacou.
Essas inconsistências comprometem o desempenho do sistema e podem gerar prejuízos ao longo do tempo.
Tecnologia e capacitação caminham juntas
Além do diagnóstico em campo, o projeto conta com uma plataforma digital que permite o registro das propriedades e a geração de relatórios técnicos, auxiliando na tomada de decisão.
No entanto, Lima reforçou que a tecnologia precisa estar acompanhada de orientação técnica. “Mais importante que a tecnologia é o serviço de assessoramento ao irrigante”, afirmou.
O projeto também inclui ações de capacitação, como treinamentos, workshops e dias de campo, ampliando o acesso ao conhecimento.
Sustentabilidade e economia no campo
Entre os principais benefícios da iniciativa estão a economia de água e energia, além do aumento da eficiência produtiva. “Às vezes, a economia de energia já paga o investimento necessário para melhorar o sistema”, destacou.
Apesar dos avanços, o especialista reconhece que ainda há resistência por parte dos produtores. “É um processo de convencimento, mas os resultados mostram que vale a pena”, afirmou.
Iniciativa pioneira no Brasil
O projeto é considerado inovador e tem como objetivo promover uma irrigação mais eficiente e sustentável. “É um serviço gratuito. O que a gente quer é uma irrigação eficiente e sustentável”, concluiu.
A discussão reforça a importância do uso racional da água e da adoção de práticas técnicas no campo, temas centrais debatidos na Fenicafé.
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