Por Caio Tucunduva, colaboração para o Viagem & Gastronomia | CNN Brasil
O café nunca foi tão bom, tão complexo e tão cheio de possibilidades, explica o colunista Caio Tucunduva • Unsplash
Existe uma sensação difícil de explicar, mas fácil de perceber no café especial hoje. Tudo está mais intenso, mais complexo e, ao mesmo tempo, diferente. Não pior. Somente diferente.
As mudanças climáticas estão, de fato, impactando regiões produtoras. Isso é amplamente reconhecido por entidades como a Specialty Coffee Association. Mas junto com isso, veio algo novo. Hoje, o produtor não apenas revela o terroir, mas também o interpreta.
Com processos mais sofisticados, o perfil da xícara deixou de ser só resultado da natureza e passou a ser também resultado de decisões humanas.
Fermentações controladas, uso de leveduras e técnicas inspiradas no vinho estão redefinindo o que entendemos como “perfil de café”.
E o mais interessante: dois cafés da mesma fazenda podem ter sabores completamente diferentes. O processo virou linguagem criativa e o produtor passou a ter um papel quase autoral. Não é mais só origem. É expressão.
Leilões como o “Best of Panama” mostram até onde esse universo chegou. Cafés raríssimos, produções mínimas e perfis únicos.
Mas, talvez, o verdadeiro luxo não esteja no preço, mas sim em beber algo que não pode ser replicado.
Competições como o World Barista Championship mostram uma mudança clara: o café deixou de ser descrito apenas por notas e passou a ser entendido como experiência completa, com textura, estrutura e persistência.
É quase como provar um grande vinho ou um uísque raro.
Seleção de variedades, controle de fermentação e experimentação contínua estão abrindo caminhos inéditos. Isso leva a um pensamento interessante: talvez o café especial esteja entrando em uma nova fase onde tradição e inovação não competem, mas convivem.
O café nunca foi tão bom, tão complexo e tão cheio de possibilidades. E talvez a grande beleza deste momento esteja justamente nisso: estamos redescobrindo o café xícara por xícara.
*Os textos publicados pelos Insiders e Colunistas não refletem, necessariamente, a opinião do CNN Viagem & Gastronomia.
Caio Tucunduva • Divulgação
Engenheiro civil, Caio Tucunduva é especialista e mestre em sustentabilidade pela USP. Se apaixonou pelo mundo do café e, já especialista em hospitalidade, começou pelos cursos do Senac de barista e gestão de bares e restaurantes. Formou-se como degustador e classificador de café, tornando-se mestre de torra. Foi para a Austrália oferecer consultoria de torra de café brasileiro e aprendeu novas técnicas, como a blendagem de café verde, uma de suas marcas registradas. Ainda desenvolveu uma técnica de maturação de cafés especiais em madeiras e destilados. Hoje, percorre o país atrás de bons produtores.
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