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Produtor mineiro vende café raro por R$ 90 mil a saca

Variedade ancestral do arábica tem uma produtividade de duas sacas por hectare

Por Eliane Silva — Ribeirão Preto (SP) | Globo Rural

Apenas cinco fazendas no mundo produzem o café eugenioides, que não tem nenhum melhoramento genético — Foto: Arquivo pessoal

Considerado uma lenda no mundo do café, o produtor mineiro Luiz Paulo Dias Pereira Filho está comercializando uma saca de 60 quilos de café raro por R$ 90 mil. Segundo Luiz Paulo, o café da espécie eugenioides (Coffea eugenioides), é tão exclusivo e cobiçado quanto o vinho francês Romanée-Conti, que tem preço médio de US$ 19,5 mil a US$ 39 mil (R$ 118 mil a 243 mil pela cotação atual), mas já teve garrafas leiloadas por R$ 2,6 milhões.

O produtor iniciou o plantio comercial da espécie secretamente há quatro anos em uma área de cinco hectares em sua fazenda Santuário do Sul, em Carmo de Minas, onde tem o maior número de variedades exóticas de café do Brasil. Com uma produtividade de apenas duas sacas por hectare, o eugenioides é considerado o ancestral do café arábica, o tipo mais produzido no Brasil que tem produtividade média de 50 sacas por hectare.

“Um café normal não tem condições de trazer tudo da raiz para o copo. Como os vinhos, quanto mais açúcar melhor o vinho é. O eugenioides é muito doce, tem baixa cafeína, mas não parece descafeinado e tem um sabor incrível.”

Segundo Luiz Paulo, apenas cinco fazendas no mundo produzem este café raro que não tem nenhum melhoramento genético, é suscetível a todas as doenças da cultura e exige um manejo muito cuidadoso. O produtor mantém um funcionário dedicado ao manejo do eugenioides, que passa relatórios diários para o agrônomo sobre o desenvolvimento das plantas. O sistema de cultivo é o regenerativo, aquele em que o solo é enriquecido com compostagem natural, com controle biológico de pragas e uso equilibrado de água.

“Esse café é um diamante e eu assumi a bandeira de lapidá-lo. É para tomar em taça e cabe perfeitamente no mercado atual de luxo em que as pessoas valorizam a experiência. O preço alto é para compensar o que estou investindo e ainda é menor do que cobram os outros produtores do mundo porque eu ainda estou começando”, disse à Globo Rural Luiz Paulo, que ganhou 23 prêmios no Cup of Excellence da Associação Brasileira de Cafés Especiais do Brasil (BSCA).

Luiz Paulo Dias Pereira Filho planta a espécie rara na fazenda Santuário do Sul, em Carmo de Minas (MG) — Foto: Arquivo pessoal

Cofundador da exportadora Carmo Coffees, ele é o único brasileiro na galeria das seis lendas do café mundial da Alliance for Coffee Excellence (ACE), que inclui um cafeicultor da Guatemala, um de Honduras, um da Costa Rica, um de Nicarágua e um de El Salvador.

No ano passado, o mineiro de 45 anos formado em administração de empresas vendeu as primeiras sacas do grão raro in natura para clientes de Taiwan, Arábia Saudita e Emirados Árabes. Neste ano, mandou uma saca para um restaurante francês que busca conquistar a terceira estrela Michelin servindo o café como finalização da refeição.

Ele afirma que já tem seis clientes em lista de espera, mas antes de vender a raridade para novos compradores vai dar prioridade aos clientes que compraram as primeiras sacas.

Leonardo Assad

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