Por Ravenna Alves | Metrópoles
Tomar café à noite para espantar o sono pode ter efeitos além da dificuldade para dormir. Um estudo recente sugere que o consumo de cafeína nesse período pode reduzir o autocontrole e aumentar comportamentos impulsivos, elevando a chance de decisões arriscadas.
A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade do Texas em El Paso, nos Estados Unidos, e publicada na revista iScience em 15 de agosto de 2025. Os resultados indicam que o horário em que a cafeína é consumida pode influenciar diretamente a forma como o cérebro regula o comportamento.
“A cafeína é a substância psicoativa mais consumida no mundo, com cerca de 85% dos adultos nos EUA usando-a regularmente. Dada essa popularidade, queríamos entender melhor como fatores como o horário de consumo afetam o controle comportamental”, diz o pesquisador Paul Sabandal, um dos autores do estudo, em comunicado.
Para investigar esse efeito, os pesquisadores utilizaram moscas-das-frutas, um modelo comum em estudos científicos por apresentar semelhanças importantes com o funcionamento biológico humano.
Os insetos foram expostos à cafeína em diferentes condições, com variações de dose e horário, incluindo consumo durante o dia e à noite. Em seguida, os cientistas avaliaram a impulsividade observando como as moscas reagiam a um estímulo desagradável, uma corrente de ar.
Em condições normais, elas interrompem o movimento para evitar o desconforto. No entanto, quando consumiam cafeína à noite, apresentavam mais dificuldade para frear esse comportamento.
“Descobrimos que as moscas que consumiam cafeína à noite eram menos capazes de interromper o movimento, exibindo comportamentos impulsivos, como voos imprudentes, mesmo diante de condições adversas”, explica o professor Erick Saldes.
Já as moscas expostas à cafeína durante o dia não apresentaram esse padrão, o que reforça a importância do horário de consumo.
Outro ponto que chamou atenção foi a diferença na resposta entre os sexos. Embora machos e fêmeas apresentassem níveis semelhantes de cafeína no organismo, as fêmeas demonstraram uma reação mais intensa, com maior impulsividade.
“As moscas não possuem hormônios humanos como o estrogênio, o que sugere que outros fatores genéticos ou fisiológicos podem explicar essa maior sensibilidade nas fêmeas”, afirma o pesquisador Kyung-An Han.
Segundo os autores, entender essas diferenças pode ajudar a esclarecer como o organismo reage à cafeína em diferentes contextos.
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