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Sabrina Sato planta café sustentável e resgata raízes no interior de São Paulo

Propriedade da família aposta em práticas regenerativas e na força do grão brasileiro

Por Luiz Eduardo Minervino — Piraju (SP) | Globo Rural

Apresentadora acredita em maior conexão entre consumidor e produtor — Foto: Divulgação

É em Piraju, no interior de São Paulo, que Sabrina Sato se refugia da correria das gravações e da rotina na cidade. Também é lá, na Fazenda Nossa Terra, que a apresentadora e sua família produzem café.

A história começou há cerca de sete anos, quando a família decidiu investir em uma fazenda. “A gente se apaixonou por essa terra, mas não conhecia nada. Foi uma aventura nova para todos nós”, conta Sabrina.

Mais do que retorno financeiro, ela define o projeto como um resgate das origens, Sato nasceu em Penapólis, também no interior paulista, onde viveu até os 16 anos. “Foi a realização de um sonho. A gente voltou para as nossas raízes e se reconectou com a terra”.

Fazenda Nossa Terra fica em Piraju (SP), Omar Rahal, pai da Sabrina, fica a frente do negócio — Foto: Luiz Eduardo Minervino

Esse vínculo afetivo se mistura com a importância cultural do café no Brasil. Para a apresentadora, o grão está presente nos momentos mais cotidianos e também nos mais decisivos. “O café faz parte de encontros, de conexões. É um ritual. A gente precisa fazer as pessoas pensarem de onde vem o café que elas tomam todos os dias”, afirma.

Diferentemente do que pode parecer, a entrada da família no café não partiu do zero. O pai de Sabrina, o produtor Omar Rahal, já havia tido contato com a cultura no passado, antes de seguir para outras atividades. Ao adquirir a propriedade, a experiência prévia ajudou nas primeiras decisões da lavoura.

“Eu bati o olho e já tinha uma noção do que aquilo podia produzir. O rapaz que inspecionou falou ‘vai dar uns 800 sacos’, eu falei: ‘não, vai dar uns 600’, dito e feito”, relembra.

Na prática, porém, o campo impõe uma realidade mais complexa. Segundo Omar, a lavoura tem sentido, nos últimos anos, os efeitos diretos das mudanças climáticas. “Mudou tudo. Hoje, ou você irriga ou não produz, aqui nós já estamos sentindo os efeitos climáticos mais intensos há três anos”, afirma.

Com cerca de 50 hectares de área plantada e produção em torno de 1,9 mil sacas por safra, a propriedade trabalha com café arábica e o manejo exige atenção constante. “São 365 dias por ano cuidando do café. Se descuidar, vem praga, doença. Não pode ficar mais de dez dias sem andar na lavoura”, explica Rahal.

Entre as práticas adotadas está o chamado “safra zero”, em que a planta alterna ciclos de produção para recuperar vigor, além de podas estratégicas e adubação frequente.

Apesar das dificuldades, Rahal avalia que o momento é mais favorável do que em anos recentes, principalmente pela queda no custo dos insumos e a alta do grão nos mercados internacionais.

A propriedade, no entanto, já chama atenção por práticas ligadas à sustentabilidade, um ponto que abriu caminho para a aproximação com a Nescafé, que firmou uma parceria de consultoria com a fazenda, anunciada nesta terça-feira (31/3).

Segundo Barbara Velo, gerente de ESG e Coffee Expertise de Nescafé no Brasil. A fazenda apresenta características alinhadas à agricultura regenerativa, mesmo antes de uma parceria formal.

“A gente identificou que é uma fazenda engajada no nível regenerativo. Eles já preservam matas ciliares, trabalham com corredores ecológicos e têm cobertura de solo, o que contribui para retenção de água e redução de carbono”, explica.

Corredor ecológico na Fazenda Nossa Terra — Foto: Luiz Eduardo Minervino

Atualmente, o trabalho está na fase de diagnóstico e adaptação para certificações. A empresa exige critérios rigorosos de rastreabilidade e sustentabilidade. “A ideia é entender como eles podem evoluir nessas práticas e, no futuro, eventualmente fornecer café certificado”, afirma Barbara.

Para Sabrina, essa conexão entre campo, indústria e consumidor é essencial. “Está tudo ligado. É importante mostrar quantas mãos fazem esse café chegar até a gente. No meio da lavoura, o tempo segue outro ritmo, ditado pela natureza e cada vez mais imprevisível, e a gente precisa respeitar”, frisa a apresentadora.

Leonardo Assad

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