Estudo em camundongos indica que a cafeína pode proteger e reverter perdas de memória causadas pela privação de sono
Por Ana Luiza Figueiredo | Olhar Digital
Xícara de café e alguns grãos (Imagem: worradirek/Shutterstock)
Pesquisadores da Universidade Nacional de Singapura (NUS) identificaram que a cafeína pode proteger e até reverter prejuízos de memória causados pela privação de sono em camundongos. O estudo analisou a região CA2 do hipocampo, associada à memória social — responsável por reconhecer indivíduos já encontrados anteriormente.
Nos testes, camundongos mantidos acordados apresentaram maior dificuldade em identificar outros animais já vistos. No entanto, aqueles que receberam doses contínuas de cafeína por uma semana antes da privação de sono não demonstraram o mesmo nível de comprometimento. O estudo foi publicado na revista Neuropsychopharmacology.
Testes com camundongos mostram menos comprometimento da memória por privação de sono com consumo de cafeína (Imagem: Egoreichenkov Evgenii / Shutterstock.com)
Os pesquisadores também aplicaram cafeína diretamente em tecidos cerebrais de camundongos privados de sono. Mesmo sem exposição prévia à substância, houve melhora na sinalização da região CA2.
“A privação do sono não apenas deixa você cansado. Ela interrompe seletivamente circuitos importantes da memória”, afirmou o fisiologista Lik-Wei Wong. “Descobrimos que a cafeína pode reverter essas interrupções tanto nos níveis moleculares quanto comportamentais.”
O estudo utilizou eletrodos para medir a atividade cerebral e identificou que a privação de sono aumenta a sinalização ligada à adenosina, substância associada à indução do sono e à redução da atividade de circuitos de memória.
Pesquisas anteriores já indicavam que a cafeína pode reduzir a ação da adenosina, algo que também foi observado neste trabalho. A nova análise detalha como essa interação afeta especificamente a memória social e os circuitos cerebrais envolvidos.
“Nossas descobertas posicionam a região CA2 como um centro crítico que liga o sono e a memória social”, disse o neurocientista Sreedharan Sajikumar.
Os autores destacam que os resultados foram obtidos apenas em camundongos, e que ainda é necessário confirmar os efeitos em humanos, considerando hábitos de sono e consumo de cafeína.
Os dados sugerem que a capacidade de reconhecer pessoas e lembrar detalhes pode ser afetada mesmo após períodos curtos de privação de sono. Também levantam a hipótese de que a cafeína possa ter um papel protetor, embora isso ainda precise ser comprovado.
O estudo pode ajudar a investigar a relação já observada entre falta de sono e maior risco de demência. Parte dessa conexão pode estar ligada a circuitos cerebrais de memória que dependem de uma rotina adequada de sono e costumam ser afetados nesses quadros.
Pesquisas anteriores já apontaram que o consumo regular de café pode estar associado à proteção contra demência. Os novos resultados ajudam a entender possíveis mecanismos envolvidos, ao identificar um caminho específico no cérebro relacionado à memória social.
“Esta pesquisa aprimora nosso entendimento sobre os mecanismos biológicos subjacentes ao declínio cognitivo relacionado ao sono”, afirmou Sajikumar. “Isso pode orientar futuras abordagens para preservar o desempenho cognitivo.”
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