Supermercado no Santa Angelina vende café a R$ 39,99 – maior valor praticado (Foto: Milton Filho)
A aposentada Terezinha Panela de 59 anos não abre mão do café no seu dia a dia, mas, para levar a bebida para casa, precisou trocar por uma marca mais barata. Isso porque, em alguns supermercados de Araraquara, o produto já se aproxima dos R$ 40.
“A gente vê a qualidade com preço acessível. Costumava levar um que está mais caro, então, tive que trocar de marca“, explicou.
Levantamento realizado pelo portal acidade on na segunda-feira (10) em supermercados de três redes com mais de 10 unidades na cidade encontrou o café tradicional de 500g custando de R$ 19,99 a R$ 39,99, a depender da marca.
O produto mais em conta pode ser comprado em um estabelecimento no Centro. Já o mais caro é vendido em outra rede no Santa Angelina.
“Simplesmente estou deixando de tomar café, até isso, porque comer não dá mais, e, agora, o café que dava uma alegria”, disse indignada a aposentada Carmem Silvia Machado, 74.
Segundo a pesquisadora do Núcleo de Economia do Sincomércio (Sindicato do Comércio Varejista) de Araraquara, Maria Clara Kirsch, condições climáticas adversas, como a estiagem prolongada e as altas temperaturas, atrapalharam as lavouras de café.
“Tudo isso impactou o café arábico, no qual o Brasil é o principal produtor mundial. Essa oferta restrita atrapalhou a demanda, tanto a interna quanto a externa, que inclusive aumentou. Então, a oferta restrita, junto a uma demanda maior externa, pressionou os preços. É como se o café ficasse mais valioso“, explicou.
Em 12 meses, o preço do café torrado e moído teve alta de 39,60%, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
“Em novembro de 2024, o preço do café no mercado externo aumentou 30%. Junto a isso, tivemos uma desvalorização do real, principalmente no fim do ano, e isso elevou os custos de produção, já que importamos insumos de fora para produzir aqui dentro. Se esses insumos estão mais caros, fica mais caro produzir aqui“, completou a pesquisadora.
Para a promotora de vendas Bruna Ramalho, 47, a estratégia para manter o consumo é pesquisar e optar por marcas mais baratas, sem abrir mão da qualidade. “Então, a gente está driblando, não está indo sempre na marca que costuma usar. Aí tem aquelas marcas que a gente não conhece e não compra, né? A gente prefere até um pouco de qualidade“, ponderou.
O soldador Rafael Nascimento dos Santos, 25, optou por levar um sachê menor e mais barato em vez da embalagem comum de 500g. “Uma opção para levar o café é deixar de pegar outra coisa. A gente gosta de um chocolate também. Qualquer coisa, deixa de levar o chocolate para levar o café. Hoje, a gente fez ao contrário”, explicou.
Para este ano, o cenário continua desafiador. Segundo a Abic (Associação Brasileira da Indústria de Café), o café deve ficar 25% mais caro nos próximos dois meses.
De acordo com a pesquisadora, a oferta não deve aumentar o suficiente para satisfazer a demanda externa. “Temos um contexto mundial de baixa oferta, porque o Vietnã, que é outro grande produtor, também teve problemas de produção, e uma demanda aquecida. Com o real desvalorizado no Brasil, fica mais atrativo exportar“, concluiu.
Fonte: A Cidade On
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