Por Cibelle Bouças — Belo Horizonte | Globo Rural
Jacques Fagundes Miari, presidente do conselho administrativo da Cocatrel — Foto: Divulgação
A chegada de 732 novos cooperados ao longo de 2025 deve permitir à Cocatrel, Cooperativa dos Cafeicultores da Zona de Três Pontas, em Minas Gerais, alcançar uma originação de 1,95 milhão de sacas de 60 quilos de café em 2026 — no ano passado, havia recebido 1,84 milhão de sacas.
O número de cooperados da Cocatrel, segunda maior cooperativa de cafeicultores do Brasil, cresceu cerca de 8%, para 9,3 mil em 2025. “Tivemos um cenário adverso, com crise em algumas empresas. Nesse cenário de incerteza, os produtores buscam cooperativas mais consolidadas, com solidez e transparência comprovadas. E somos conhecidos por ter esse perfil”, afirma o presidente do conselho administrativo da Cocatrel, Jacques Fagundes Miari.
A Cocatrel, que tem sede em Três Pontas (MG), atua em 125 municípios no sul e sudoeste de Minas Gerais. Segundo Miari, a cooperativa tem crescido em cooperados na região onde já atuava.
Para atender esse crescimento, a cooperativa investiu, em 2025, entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões na modernização e no aumento da capacidade de estocagem, que incluiu a aquisição de um novo armazém em Ilicínea (MG), e inauguração de loja em Três Pontas. “ Para 2027, o plano é inaugurar um novo armazém do mesmo porte e mais duas filiais”, afirma Miari.
No ano passado, a Cocatrel alcançou um faturamento de R$ 3,4 bilhões, 3% acima de 2024. O recebimento de café também cresceu o mesmo percentual, para 1,84 milhão de sacas em 2025. Mas o volume vendido foi de 1,42 milhão de sacas, uma queda 34,9% em comparação com o ano anterior.
“Tivemos uma safra menor. Além disso, por causa da insegurança com o cenário econômico e político, e dos preços internacionais do café, teve produtor que preferiu esperar virar o ano para vender parte do estoque”, afirma Miari. Segundo ele, muitos produtores têm expectativa que os preços subam neste ano, e “esperam atingir picos de R$ 2,5 mil, R$ 2,7 mil para vender”.
Hoje, 25% a 30% do café originado pela Cocatrel é exportado diretamente pela cooperativa. Mas, incluindo vendas para tradings exportadoras, o volume enviado ao exterior chega a 60%. O restante é vendido no mercado interno para torrefadoras.
Miari avalia que o regime de chuvas favorável na região desde o início do ano deve contribuir para a maior originação de café pela cooperativa.
A Cocatrel também atua com grãos e originou 800 mil sacas de soja e milho em 2025, gerando receita de R$ 40 milhões. Para este ano, a previsão da cooperativa é ter aumento de 10% na produtividade das duas culturas.
Além de exportar e fornecer café a torrefadoras, a cooperativa tem produção própria de cafés torrados e moídos, especiais e convencionais, com as marcas Cocatrel, Mokinha, Gourmet Reserva, Montrês e Cafeína. Mas o volume, segundo Miari, é muito baixo.
Fundada em 1961, a Cocatrel opera atualmente com 21 unidades de recebimento de café e cereais, 14 lojas agropecuárias, um laticínio, duas cafeterias, laboratórios, oficinas, torrefação, atendendo 9,3 mil cooperados.
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