Pesquisadores monitoram polinizadores durante florada que marca o início da safra prevista para 2026
Por Nathalia Alves | Diário do Litoral
Espaço reúne seis variedades de grãos e recebe visitantes interessados na história e na ciência do café / Reprodução
Localizado na Vila Mariana, zona sul de São Paulo, o maior cafezal urbano do mundo acaba de ganhar um reforço de peso para a ciência, 900 novas mudas foram plantadas no espaço, que agora soma cerca de 3 mil pés de café destinados a pesquisas sobre controle de pragas e manejo sustentável do solo.
O coração da cidade de São Paulo abriga um tesouro verde pouco conhecido por muitos: o maior cafezal urbano do mundo, localizado no Instituto Biológico (IB-Apta), na Vila Mariana.
Com 2.200 pés de café distribuídos em 10 mil metros quadrados, número que subirá para 3 mil com as novas mudas, o espaço voltou a se cobrir de flores brancas e perfumadas, marcando a segunda florada do ano, que começou nesta segunda-feira (6).
O fenômeno é um dos mais importantes para a cafeicultura, pois define o potencial de produtividade e qualidade da próxima safra, prevista para maio de 2026.
A florada, que normalmente ocorre entre setembro e novembro, é um espetáculo de curta duração, dura apenas alguns dias, mas de enorme impacto visual e olfativo.
“A importância da florada está diretamente ligada ao potencial de produção do café. A quantidade e a qualidade das flores nos dão uma perspectiva sobre como será a colheita”, explica Harumi Hojo, pesquisadora responsável pelo cafezal do Instituto Biológico.
Durante esse período, os pesquisadores aproveitam para monitorar o comportamento dos polinizadores, fundamentais para a formação dos frutos. Abelhas e marimbondos desempenham um papel essencial, transportando o pólen entre as flores e garantindo a fecundação das plantas.
“Esses insetos contribuem não apenas para a qualidade e quantidade dos grãos, mas também para a biodiversidade local”, destaca a pesquisadora.
Polinizadores e sustentabilidade
As pesquisas conduzidas no IB identificam as espécies de polinizadores e analisam como cada uma contribui para a produtividade. Abelhas nativas, por exemplo, ajudam a uniformizar o tamanho dos frutos e a aumentar o teor de doçura do café, aprimorando o sabor e a consistência dos grãos.
Para estudar esses insetos, os cientistas utilizam redes entomológicas e armadilhas coloridas (em tons de branco, amarelo e azul), com soluções de água e sabão que atraem os polinizadores sem causar impacto ambiental.
A iniciativa reforça o compromisso do Instituto com práticas sustentáveis e com a preservação da fauna urbana, mostrando que a ciência e a natureza podem coexistir em harmonia no coração da metrópole.
Um patrimônio científico e cultural
Mantido pela Secretaria de Agricultura por meio do Instituto Biológico, instituição criada em 1927, após a crise causada pela praga conhecida como Broca do café, que afetou fortemente a produção na época, o espaço funciona desde a década de 1950 como uma fazenda modelo para experimentos, contribuindo com conhecimento e inovação para o desenvolvimento da cafeicultura brasileira.
Hoje, o local se transformou também em um ponto turístico e educativo, recebendo visitantes interessados na história, na ciência e na cultura do café.
O espaço abriga seis variedades de grãos, incluindo bourbon amarelo, mundo novo e catuaí, todas cultivadas com técnicas de manejo sustentáveis e voltadas à pesquisa agrícola.
O papel da Apta
O Instituto Biológico integra a estrutura da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), ligada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, responsável por coordenar a pesquisa científica no setor agropecuário.
A Apta engloba sete instituições, entre elas, o Instituto Agronômico (IAC), o Instituto de Zootecnia (IZ) e o Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), que desenvolvem soluções tecnológicas e sustentáveis para o campo.
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